O senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ironizou deficiências do seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pelo menos duas ocasições durante o debate da TV Globo, nesta noite. Em uma delas, citou "os nove dedos" de Lula.
Na outra, afirmou que "não estava ouvindo direito" o que o petista dizia, em referência à dificuldade de dicção do adversário. Lula tratou um câncer na garganta, que causou rouquidão.
As falas ocorreram no primeiro bloco. Lula reagiu somente na volta do intervalo: “não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, afirmou o petista.
Aliados de Lula classificaram a fala de Flávio como capacitismo (preconceito contra pessoas com deficiência). O senador fez a referência no primeiro bloco do debate, ao afirmar que o petista "dá com uma mão e tira com os nove dedos".
Na ocasião, os dois discutiam sobre a proposta de tarifa zero para o transporte público. “Não adianta nada o salário mínimo ser de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos.
Você simplesmente invade o bolso do contribuinte. Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história", disse o candidato do PL no primeiro bloco.
Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho, em 1963, quando atuava como torneiro mecânico no ABC Paulista. "O miliciano [Flávio] desrespeita as pessoas com deficiência quando chama o Lula de nove dedos", afirmou no X o deputado federal Reimont (PT-RJ).
Flávio foi advertido pela sua equipe de que a postura de deboche que prevaleceu no debate anterior, promovido pela Band, no domingo (18), não foi bem recebida na maioria dos grupos focais. A campanha gostaria que, nesta noite, ele tivesse uma postura de estadista e que não pudesse ser considerada pelo eleitor como a de alguém “arrogante”.
Após a reação de Lula, Flávio pediu desculpas. "Se eu te ofendi, eu te peço desculpas de verdade, eu não queria te ofender", declarou.
Valor