O ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF) defendeu nesta segunda-feira (26) o respeito entre “compatriotas” e criticou o uso de “pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações” no processo eleitoral. Em publicação no Instagram, o ministro afirmou que essas condutas são ilegais e não devem voltar a fazer parte das disputas políticas no país.
Embora não tenha citado diretamente nenhum dos candidatos à Presidência, a mensagem foi publicada após imagens de um apoiador de Flávio Bolsonaro (PL) conduzindo um homem negro acorrentado durante um ato de encerramento da campanha do senador, no sábado, no Rio de Janeiro. O episódio ocorreu na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense.
No vídeo, o homem negro aparece com adesivos e inscrições alusivas ao PT e segura um tridente, enquanto outro manifestante, que segura a corrente, faz ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), até então adversário de Flávio na disputa presidencial. As imagens circularam ontem nas redes sociais, dia da votação.
Na publicação, Dino também defendeu o respeito ao pluralismo político, princípio previsto na Constituição, e pediu que diferentes setores da sociedade contribuam para a pacificação do país. “Desejo que a sociedade civil, os agentes de mercado, os profissionais das várias áreas, a classe trabalhadora, as empresas de mídia, os líderes religiosos, cada um no seu espectro de atuação, sejam portadores de mensagens de paz e ponderação, em um mundo tão conflagrado por extremismos e egoísmos, que nada constroem”, escreveu.
O ministro também lembrou sua participação na campanha das Diretas Já, em 1984, movimento que defendia a retomada das eleições diretas para a Presidência da República após a ditadura militar. Para Dino, a realização sucessiva de eleições demonstra a persistência da democracia brasileira, apesar das rupturas institucionais enfrentadas pelo país.
“Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida”, afirmou. Ministério pede apuração
A repercussão das imagens também levou o Ministério da Igualdade Racial a encaminhar, no domingo (25), ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para pedir a apuração do episódio. Em nota, a pasta classificou como inaceitável a cena de uma pessoa negra sendo acorrentada e humilhada e destacou o significado histórico desse tipo de representação em uma sociedade marcada pela escravidão.
Ministro Flávio Dino em sessão de julgamento no plenário do STF Victor Piemonte/STF
Valor