Flávio consolida vantagem entre independentes e abre distância sobre Lula no Sudeste, diz diretor da Quaest

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Fonte da notícia: Valor Valor

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que a pesquisa divulgada pelo instituto nesta segunda-feira (14) mostra uma consolidação de Flávio Bolsonaro (PL) entre os chamados eleitores independentes, que devem ser decisivos para o resultado da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula mantém a liderança no primeiro turno (36% x 31%), mas viu o adversário passar à frente numericamente no segundo e abrir vantagem na região Sudeste, que concentra 42% do eleitorado nacional. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. No quadro geral do eleitorado, Flávio atinge 42% em eventual confronto direto com Lula, que tem 40%. No grupo dos independentes, que estão fora da polarização, o candidato do PL chega a 36%, ante 26% do petista. "Em se mantendo esse cenário calcificado entre lulistas e bolsonaristas, os independentes farão a diferença. Neste momento, a vantagem numérica de Flávio para Lula neste grupo é de dez pontos percentuais. Vai se consolidando uma vantagem aqui", avaliou Nunes, em análise compartilhada nas redes sociais. Desaprovação ao governo é obstáculo para Lula Segundo o responsável pela pesquisa, um grande obstáculo para Lula tem sido a desaprovação ao governo (50% nesta rodada), que se mantém alta mesmo com a tendência de candidatos à reeleição conseguirem melhorar sua imagem em ano eleitoral. "É inédito um incumbente que busca a reeleição e não consegue melhorar sua aprovação durante a campanha. E isso tem feito a diferença." Nunes também chamou a atenção para o avanço de Flávio entre o eleitorado feminino, que antes se mostrava mais reticente à sua candidatura. Com 38% de intenções no segundo turno, o candidato do PL "tem conseguido um desempenho surpreendentemente alto entre as mulheres, que foram o principal campo de rejeição a Bolsonaro depois da pandemia e da política de facilitação do porte de armas do governo passado". Flávio abre 16 pontos contra Lula no Sudeste No Sudeste, região que está em disputa por causa do grande contingente de eleitores e tem concentrado as principais agendas dos presidenciáveis, a distância de Flávio para Lula, que já foi de dois pontos percentuais, no início de agosto, agora se transformou em uma vantagem de 16 pontos (47% x 31%). O candidato do PT só aparece à frente do rival no Nordeste, região onde alcança 60%, ante 28% do senador. No recorte por renda, Lula preserva a dianteira entre os mais pobres, com renda até dois salários mínimos (51% x 32%), mas viu Flávio aumentar a distância no grupo que recebe entre dois e cinco salários. Segundo o diretor da Quaest, trata-se de um público que foi muito beneficiado com políticas econômicas neste governo, mas que neste momento dá uma vantagem de dez pontos percentuais ao oponente (46% x 36%). Lula enfrenta "um momento mais negativo" a esta altura da corrida, na leitura de Nunes, com motivos de preocupação como a distância entre ele e Flávio na série histórica de primeiro turno da Quaest ser a menor até aqui (cinco pontos percentuais). No entanto, 54% dos brasileiros ainda apostam que o candidato do PT vai vencer a eleição. Os que acreditam que Flávio sairá vitorioso da disputa são 31%. De acordo com Nunes, "o medo também parece oscilar contra Lula neste momento". De julho para cá, a parcela que responder ter mais medo da continuidade do governo do que da volta da família Bolsonaro ao poder foi de 38% para 44%, "uma tendência negativa e constante muito parecida com a curva de intenção de voto". Os que dizem ter mais medo do retorno dos Bolsonaros são 42%, situação de empate técnico. "Essa percepção negativa traduzida em medo está aparecendo principalmente entre as mulheres. No começo do mês passado, o medo de um novo governo Bolsonaro [nesse segmento do eleitorado] era de 48%. Agora, foi para 42%, mesmo patamar de medo de um novo governo do Lula", afirmou. "Os que mais acreditam na vitória do Lula são, nesta ordem, lulistas, esquerda e independentes. Os maiores entusiastas da vitória do Flávio são os bolsonaristas. Chama atenção a mudança de percepção na direita. Passou de 52% para quase 70% a crença, na direita, de que Flávio vai vencer neste ano." Os números de rejeição e de potencial de voto, ainda conforme a observação de Nunes, sugerem que Lula pode não ter chegado ao teto de votos, ao se comparar a parcela que diz que poderia votar no presidente e aquela que efetivamente declara intenção de voto nele. "Em uma eleição que se polariza em torno de dois nomes tão rejeitados (55% para ambos), em que o resultado parece que vai ser resolvido no olho mecânico, também chama atenção o espaço de potencial de voto ainda não aproveitado por Lula. Ele tem 40% em um eventual segundo turno contra Flávio, mas há 45% que dizem que poderiam votar nele. No caso do Flávio, que tem 42% [de intenções], ele parece estar perto do seu teto (43%)", afirmou.

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