O senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou pela primeira vez depois de deixar o Brasil e ir para os Estados Unidos. Em uma live nas redes sociais, ele disse que tomou a decisão com a esposa, Fernanda, sem que ninguém soubesse, e resumiu a saída numa frase: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”.
Flávio contou que tudo começou na segunda-feira depois do segundo turno. Naquela manhã, ele visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, por 30 minutos, como advogado.
“Fui visitar meu pai pela última vez. Eu não sabia que ia ser a última vez.
Eu não sei quando é que eu vou poder vê-lo mais uma vez”, disse. Segundo o senador, quando a visita terminou, havia policiais federais na porta da casa.
Na calçada, ele foi intimado de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mandou apreender os passaportes dele e o proibiu de sair do país. De acordo com Flávio, a decisão foi tomada poucos minutos depois de o TSE anunciar o resultado da eleição.
Flávio relatou que Bolsonaro pediu que os delegados se afastassem para falar com ele a sós e, com os olhos cheios de lágrimas, perguntou: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. O senador disse que respondeu: “Pai, já sei onde eles querem chegar, eu sei o que eu tenho que fazer”.
Na live, Flávio voltou a atacar o STF e a eleição. “Eu perdi pro sistema, eu não perdi pro meu adversário”, afirmou.
Ele disse que sair do país não foi sinal de fraqueza (“Eu posso ser tudo, menos burro”) e que deu “um passo atrás pra dar dois pra frente”. O senador também afirmou que Moraes o acusa falsamente de envolvimento com contas bancárias de um amigo e disse que o Santander enviou um ofício informando que ele nunca teve conta na empresa citada.
Flávio indicou o senador Rogério Marinho (PL) para a presidência do Senado e pediu que os eleitores cobrem dos senadores em quem votaram o voto nele. Para Flávio, o Congresso será a “trincheira” da oposição a partir de agora.
No fim da live, ele falou em disputar a Presidência da República de novo, citando os quase 60 milhões de votos que recebeu. “Eu não tô falando de 2030, não.
Eu tô falando de antes disso”, disse. A Polícia Federal informou na quarta-feira (28) que Flávio não é considerado foragido nem é alvo de mandado de prisão.
Na terça-feira (27), ele cruzou a ponte de Foz do Iguaçu para a Argentina com a mulher e as filhas e, de lá, seguiu para Miami. © Jornal Razão.
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