O caso da menina Ana Clara voltou a mídia, após ser citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao mencionar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na defesa do suposto responsável pela morte da criança, durante o debate eleitoral promovido pela TV Band no domingo (18) O tema vem sendo explorado pela campanha do petista desde que o canal no YouTube Revelando, criado por um coletivo de jornalistas e profissionais de comunicação, informou que Flávio Bolsonaro atuou como advogado do cabo da policial militar (PM), Bruno Dias Delarolli, acusado de ter disparado na menina.
"Você era senador da República e foi interferir para que um policial que matou uma criança de cinco anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?", questionou Lula durante o debate.
Flávio Bolsonaro defendeu a sua atuação como advogado: "Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento e você já condenou o cara." Relembre o caso Em 2 de fevereiro de 2021, Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, foi atingida por um disparo de fuzil enquanto brincava na frente da própria casa em Monan Pequeno, uma comunidade no bairro de Pendotiba, em Niterói. Ela estava com o irmão de dois anos, que não se feriu. Ana Clara foi socorrida e levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos.
Caso da menina Ana Clara, de 5 anos, que morreu após ser atinginda por uma bala de fuzil no RJ Reprodução Após as investigações, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que o disparou foi feito pelo cabo do 12º Batalhão da PM Bruno Dias Delarolli, que participava de uma ação no local. Segundo a promotoria, não havia um confronto armado no momento, já que a viatura não tinha marcas de tiro e a perícia só recolheu no local estojos da munição de fuzil, e moradores o alertaram que havia pessoas transitando na área residencial.
Delarolli defende que disparou contra criminosos armados durante um confronto, mas nega que a bala que atingiu Ana Clara tenha saído de sua arma. Ele foi preso em flagrante e denunciado por homicídio qualificado, por ter assumido o risco de matar. Em novembro de 2021, a prisão foi substituída por medidas cautelares.
O processo ainda está em tramitação. Em novembro de 2021, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o caso fosse levado para o júri popular, decisão que foi confirmada em 2022, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Como Flávio Bolsonaro se envolveu no caso? Em abril de 2024, um recurso da defesa de Delarolli foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo mais uma vez que fosse revertida a decisão de encaminhar o processo ao júri popular.
No acordão assinado pelo ministro Ribeiro Dantas, o nome de Flávio Bolsonaro é o primeiro entre os cinco advogados que aparecem no cabeçalho do documento. O documento não informa se o senador assinou outras peças do processo. A Quinta Turma do STJ rejeitou o pedido por três votos a dois.
Em outubro de 2024, a defesa do PM acionou mais uma vez o STJ com um habeas corpus, mas o nome de Flávio Bolsonaro não estava presente entre os advogados de defesa, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.
Em agosto de 2025, a decisão de levar o PM ao júri popular se tornou definitiva, mas o julgamento ainda não aconteceu.
Valor