Flávio Bolsonaro fugiu em jato de empresa citada em esquema de corrupção que derrubou aliado de Milei

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Fonte da notícia: A Gazeta A Gazeta

SÃO PAULO, SP  - Depois de perder a eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil com a mulher e as duas filhas em um jato privado operado pela Baires Fly S.A., empresa citada em uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de medicamentos e insumos médicos na Argentina.

O suposto esquema de corrupção causou, em 2025, escândalo no governo de Javier Milei, presidente do país, e levou à demissão de Diego Spagnuolo, ex-diretor do órgão que já foi advogado e pessoa próxima do político. A reportagem procurou a Baires Fly por meio do email disponibilizado para contato no site da companhia aérea, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil foi confirmada nesta quarta-feira (28) pela Direção Nacional de Migrações argentina. Segundo o órgão, o senador e familiares entraram no país por via terrestre, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, às 22h50 de terça-feira (27).

Às 23h30, embarcaram em um voo privado operado pela Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo apresentado às autoridades. A aeronave utilizada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW.

Depois da parada no Equador, o senador continuou a viagem até Miami, nos Estados Unidos. A Baires Fly é citada em uma investigação judicial sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na Andis, agência argentina responsável por políticas destinadas às pessoas com deficiência.

O caso apura possíveis irregularidades em contratos públicos para aquisição de medicamentos e insumos. Segundo investigação das autoridades, empresas fornecedoras da agência transferiram recursos à Baires Fly, que posteriormente emitiu faturas por supostos serviços aeronáuticos.

Os investigadores suspeitam que a documentação comercial tenha sido utilizada para dar aparência legítima às transferências. Uma investigação judicial descrita pelo jornal argentino Infobae aponta o empresário Sergio Mastropietro, ligado à Baires Fly, como suspeito de participar da canalização de recursos de origem ilícita.

O empresário teria fornecido dados bancários da companhia e, depois de receber transferências, emitido faturas da Baires Fly com valores correspondentes. O suposto esquema de corrupção gerou escândalo, em 2025, no governo de Javier Milei, e a Casa Rosada precisou demitir, em agosto daquele ano, Diego Spagnuolo, na época diretor do órgão.

Spagnuolo também já foi advogado de Milei e era considerado próximo ao político. O escândalo foi conhecido pelos argentinos após a divulgação de uma série de gravações com relatos de supostos pedidos de suborno e também menções à Karina Milei, irmã do mandatário e secretária-geral da Presidência.

Nos áudios, Spagnuolo falava de supostas propinas solicitadas aos laboratórios que forneciam medicamentos para a Andis. O avião usado por Flávio é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW.

De fabricação americana, um G400 usado tem preço estimado entre US$ 7 milhões (R$ 37,3 milhões) e US$ 9 milhões (R$ 48,1 milhões), segundo a empresa especializada The Jet Collection. O anúncio de venda informa que o jatinho foi fabricado em 2004 e tem 9.210,3 horas de voo e 4.048 pousos.

Publicação Original A Gazeta agazeta.com.br
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