Economista da Manchester Investimentos explica como o resultado do segundo turno pode afetar investimentos, crédito, dívidas das famílias e o custo para empreender O resultado das eleições no domingo mexe com o bolso de quem investe, de quem deve e de quem emprega.
Para o economista Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, o mercado não precifica o dia da posse, mas o que espera para os próximos um ou dois anos, e parte dessa aposta já está nos preços. Para o investidor, o efeito vem pela curva de juros.
Se a expectativa for de queda, títulos prefixados e ações tendem a ganhar valor. Se a leitura for de dívida pública crescendo sem caixa para sustentá-la, o movimento se inverte e o governo passa a pagar mais para se financiar.
Hoje, segundo Mendes, quem aplica no Tesouro dobra o capital em cerca de cinco anos, remuneração que concorre com qualquer investimento produtivo. Para o consumidor, a conta passa pelo crédito.
Cerca de três em cada quatro famílias brasileiras estão endividadas, e a maior parte da dívida vem de comida, moradia, transporte e remédios, não de supérfluos. Juros menores aliviam financiamentos e cartão.
Juros que seguem altos mantêm o peso. Para quem empreende, o custo do dinheiro decide se vale contratar ou abrir uma fábrica.
A inflação, hoje, está contida em parte por vale-gás, mistura de 32% de etanol na gasolina e subsídios em energia e na Petrobras. Na segunda-feira, dólar e bolsa dão a primeira resposta.
O efeito duradouro depende do que o próximo governo fizer com as contas públicas. O desafio para 2027 não é pequeno para nenhum dos dois, com dívidas públicas em 82,9% do PIB.
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