Veículo de São José dos Pinhais passou a ser monitorado após denúncia em julho; servidores disseram que levavam pessoas para trabalhar Uma van da Prefeitura de São José dos Pinhais, no Paraná, passou a ser monitorada em Joinville após suspeita de transportar pessoas em situação de rua entre os municípios.
Em outubro, agentes da Guarda Municipal encontraram o motorista e uma assistente social nas proximidades do Centro POP, depois que cerca de sete pessoas desembarcaram na região da rodoviária. Segundo a Prefeitura de Joinville, os servidores paranaenses afirmaram que transportavam as pessoas porque elas teriam conseguido emprego na cidade catarinense.
No mesmo dia, outra abordagem identificou uma família venezuelana que relatou ter passado pelo Centro POP de São José dos Pinhais e recebido ajuda para chegar a Joinville. O ND Mais tenta contato com a Prefeitura de São José dos Pinhais para obter um posicionamento sobre o caso.
O espaço segue aberto para manifestação. A primeira identificação do veículo em Joinville ocorreu em 1º de julho, após uma denúncia.
Na ocasião, a van foi registrada circulando na região da Rodoviária de Joinville. A partir desse episódio, a equipe de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do município passou a monitorar o veículo.
Para reconstruir os deslocamentos, foram utilizadas imagens do programa Joinville Sempre Alerta e informações dos radares equipados com tecnologia de OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres), capaz de identificar placas de veículos. A van voltou a ser abordada em 6 de outubro, por volta das 14h30.
Uma guarnição da Guarda Municipal fazia rondas na rodoviária quando foi acionada por um fiscal que percebeu uma movimentação considerada suspeita. Segundo o relato, o veículo havia parado no local e desembarcado aproximadamente sete pessoas que aparentavam estar em situação de rua.
O fiscal informou que a van estava estacionada perto do Centro POP, serviço destinado ao atendimento de pessoas em situação de rua. Os guardas foram até o local e encontraram o motorista e uma assistente social, que se identificaram como servidores da Prefeitura de São José dos Pinhais.
A consulta da placa confirmou que era o mesmo veículo registrado em julho. Em conversa com os agentes, os dois servidores relataram que estavam levando as pessoas para Joinville porque elas teriam conseguido emprego no município.
O destino informado seria um endereço na rua XV de Novembro. Conforme a versão apresentada pelos servidores, durante o trajeto, um dos passageiros teria pedido para a van parar perto da rodoviária para que pudesse ir ao banheiro.
Depois, ele teria se recusado a retornar ao veículo, e os demais passageiros também desembarcaram. A Guarda Municipal realizou buscas na rodoviária e nas imediações, mas não encontrou as pessoas.
A ausência dos passageiros indicou aos agentes que eles permaneceram pouco tempo no terminal. Ainda conforme as informações apuradas pela equipe, o grupo seria formado por um brasileiro, uma pessoa da República Dominicana e outras pessoas de nacionalidade venezuelana.
Naquela tarde, o motorista e a assistente social foram encaminhados à sede da Promotoria de Justiça de Santa Catarina para prestar esclarecimentos. Os materiais reunidos pelas equipes de segurança também foram apresentados ao órgão.
Ainda em 6 de outubro, por volta das 21h, uma guarnição abordou uma família com crianças nas proximidades da Expoville, em Joinville. Diante da situação de vulnerabilidade, os adultos informaram que eram naturais da Venezuela e que haviam passado pelo Centro POP de São José dos Pinhais.
Segundo o relato da família, o serviço de assistência social do município paranaense teria prestado ajuda para que chegassem a Joinville. Eles disseram que estavam na cidade catarinense desde aproximadamente as 15h daquele dia, mas que o destino final seria Barra Velha, também no Norte de Santa Catarina.
O transporte de pessoas em situação de rua entre municípios não representa, por si só, uma irregularidade. No entanto, deslocamentos realizados sem consentimento ou de forma coercitiva podem violar direitos fundamentais, como a liberdade e a dignidade humana.
Yasmin Rech é jornalista em formação, integrante da equipe do ND Mais na redação de Joinville. Acompanha temas factuais da região Norte de Santa Catarina, como segurança, cidadania e infraestrutura, cobrindo cidades como Joinville, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul.
Estudante da Faculdade Ielusc (Instituto Superior e Centro Educacional Luterano), atua no Jornalismo desde 2024 e escreve reportagens que contextualizam desafios locais, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, gestão pública e segurança. Acompanha as notícias da política catarinense e participa da cobertura das Eleições 2026 no ND Mais.
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