'Fiscais do Lula': campanha incentiva militância a ir a supermercados comparar preço de alimentos para rebater Flávio

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a incentivar a militância a ir ao supermercado para gravar vídeos comparando o preço dos alimentos no governo do petista com a gestão Jair Bolsonaro (PL), para fazer frente à estratégia adotada por Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e principal adversário de Lula nas eleições. Nas últimas semanas, aliados de Flávio e o próprio senador divulgaram vídeos em que aparecem andando em supermercados e mostrando o preço dos alimentos para criticar o presidente.   A campanha de Lula, por sua vez, não tinha colocado o custo de vida no centro do debate. A mudança ocorreu após o presidente se ver pressionado com o adversário empatado nas pesquisas de intenção de voto.  A ideia de estrategistas da campanha é que esse tema seja o foco daqui até o dia da eleição.   Levantamentos internos do PT mostram que o presidenciável do PL tem bom desempenho ao tratar do tema, mas que eleitores têm desconfiança da capacidade de o senador de resolver o problema do custo de vida. É mirando na desconfiança que parte do eleitor tem sobre o senador Brasília que a campanha pretende trabalhar. Além disso, a equipe do petista também identificou que esse tema é um dos que mais mobiliza o eleitorado, frente ao endividamento das famílias.  Nesse esforço, um grupo de integrantes da equipe do petista convocou um encontro em Brasília nesta semana com a militância para discutir estratégias digitais, focando estimular a presença digital para fazer frente ao bolsonarismo nas redes. O GLOBO teve acesso a um guia que foi produzido e distribuído aos presentes. Entre as orientações está o incentivo para produzir o mesmo tipo de conteúdo que Flávio e aliados vinham fazendo: "Faça postagem no supermercado mostrando o preço real de itens do dia a dia, comparando com o que você lembra que pagava antes e durante o governo Bolsonaro". O texto também orienta que os militantes acessem um site criado (mercadodamentira.com.br) para ter mais dados que podem ser usados nos conteúdos produzidos. A plataforma busca rebater os argumentos de Flávio de que o valor da cesta básica aumentou nos últimos três anos e traz lista de produtos com preços comparados na gestão de Lula e Bolsonaro.  O próprio vice-presidente, Geraldo Alckmin, fez publicações em que sugere que seja feita essa comparação. Em um vídeo, ele aparece num supermercado analisando o preço dos produtos. "Bora comparar com fatos e dados oficiais? A inflação dos alimentos caiu e o controle de preços no governo @lulaoficial é realidade", diz no post.  Na cartilha divulgada à militância, também há o incentivo para que os apoiadores expliquem "com as suas palavras" propostas da oposição que podem afastar o eleitorado de votar em Flávio. "Equívocos da oposição: explique com as suas palavras como a castração química, a agenda econômica da Argentina e as longas jornadas de trabalho, que são propostas dos adversários, vão mudar a vida dos brasileiros para pior", diz o texto.   A campanha também diz que é importante gravar "de forma espontânea e pessoal" e que a militância dê relatos de "sua própria motivação, uma entrega que te afetou, uma mudança que você viu acontecer": "é o formato mais livre e mais autêntico de todos, quanto mais pessoal, melhor".   A cartilha também destaca que é preciso mostrar o que já foi noticiado sobre "amizades, homenagens e pessoas do círculo próximo do adversário hoje investigadas por ligação com facções e milícias", incentivando que as publicações sejam sempre baseadas em reportagens veiculadas na imprensa.   Sob o mote de que é preciso "vencer o algoritmo" na reta final da campanha, a cartilha diz que é preciso focar nos eleitores que ainda não definiram em quem vão votar. "Quem ocupa mais esses espaços, ocupa mais o lugar na cabeça de quem ainda não decidiu. E o outro lado já entendeu isso. Eles têm uma rede organizada de perfis, contas de apoio, robôs, conteúdos orquestrados etc. Mas a gente tem uma coisa que eles não conseguem fabricar: gente de verdade, contando a verdade. Cada compartilhamento seu é um voto que ainda não foi contado", diz texto do documento.   A cartilha orienta que a militância siga perfis oficiais da campanha nas redes sociais, além das contas do próprio Lula e do vice, Geraldo Alckmin. "Você não precisa convencer quem já decidiu votar contra. Precisa acordar quem já é dos nossos e ainda não abriu a boca e falar com os indecisos", diz outro trecho. Neste ano, o PT lançou a iniciativa Porta-Vozes de Lula, formada por uma teia de grupos em aplicativos de mensagens em que são enviados conteúdos para divulgação, além de tarefas específicas para serem cumpridas.

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