Em Washington, Xi Jinping afirma que China e EUA devem ser 'parceiros, não rivais', diz mídia estatal

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu maior cooperação com os Estados Unidos, horas depois de chegar a Washington nesta quarta-feira para se encontrar com seu homólogo, Donald Trump. Xi fará uma visita de Estado de três dias, com uma agenda que inclui discussões abrangentes sobre inteligência artificial, Irã e comércio, além de grandes cerimônias. Contexto: Visita de Xi Jinping a Trump nos EUA passou por semanas de negociações para garantir recepção no mais alto nível diplomático Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países "Nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais", disse Xi, segundo declarações escritas publicadas pela agência de notícias estatal Xinhua. Ele acrescentou que "os povos chinês e americano desfrutam de intercâmbios amistosos de longa data, e nossos interesses estão profundamente interligados". Num gesto excepcional, o presidente Donald Trump e sua esposa Melania cumprimentaram Xi e a primeira-dama chinesa aos pés do avião na Base Aérea de Andrews, nos arredores da capital. Quando Trump visitou Pequim em maio, foi recebido pelo vice-presidente chinês. — Acho que foi um ótimo primeiro contato, acho que eles apreciaram — disse Trump a repórteres na Casa Branca após a cerimônia de boas-vindas. Já se passaram mais de dez anos desde que um líder chinês fez uma visita de Estado à capital, e Trump o homenageará com uma demonstração aérea militar e a tradicional salva de 21 tiros. Já o banquete na Casa Branca na noite de quinta-feira promete reunir a elite empresarial e política dos Estados Unidos. Presidentes da China, Xi Jinping (E), e dos EUA, Donald Trump, após chegada do líder chinês aos EUA Win McNamee/Getty Images/AFP A visita de Xi será concluída na manhã de sexta-feira com um chá para os dois casais presidenciais e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde está guardada a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Questões espinhosas Nas suas muito aguardadas conversações, os líderes abordarão uma série de questões espinhosas, com destaque para os receios relativamente ao rápido desenvolvimento da Inteligência Artificial. No entanto, com a China e os Estados Unidos disputando a supremacia em IA, há pouca expectativa de que se chegue a um acordo para regulamentar essa tecnologia em rápido avanço. Conversas preliminares realizadas no domingo entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e seu homólogo chinês, He Lifeng, abordaram a criação de um canal de comunicação para questões relacionadas à inteligência artificial. Bessent anunciou que a trégua comercial entre as duas potências, decretada por Trump para permitir o avanço do diálogo, será prorrogada até janeiro. — Os líderes das duas principais potências produtoras de armamentos precisam conversar — disse o secretário de Estado Marco Rubio a jornalistas. Entenda: Cúpula entre Xi e Trump terá a presença de CEOs de Nvidia, OpenAI, Microsoft e Apple Jonathan Czin, da Brookings Institution, disse à AFP que as expectativas de resultados concretos da reunião eram baixas, já que o impasse nas negociações é muito grande. Analistas observaram que a China já começou a olhar além de Trump, cujo segundo mandato termina no início de 2029, e que, de muitas maneiras, está ganhando tempo e usando a trégua para consolidar sua posição. 'Ditador opressor' A recepção calorosa de Trump a Xi atraiu críticas de facções anti-China dentro de seu próprio partido, particularmente em meio a relatos de que Pequim forneceu informações ao Irã para ataques contra tropas americanas. — Nosso comandante-em-chefe deve ter em mente que seu convidado é um ditador brutal, não eleito e opressor — declarou o senador republicano Roger Wicker, presidente da influente Comissão de Serviços Armados do Senado. O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), caminha sobre um tapete vermelho após cumprimentar o presidente chinês, Xi Jinping (à esquerda), durante uma cerimônia de chegada em 23 de setembro de 2026, na Base Conjunta Andrews, em Maryland CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Para Trump, a visita de Xi também representa uma oportunidade de se concentrar na pompa em vez dos problemas internos, onde o impacto da guerra com o Irã nos preços dos combustíveis fez com que seu índice de aprovação despencasse para mínimas históricas às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato em novembro. Os presidentes dos EUA raramente viajam até o aeroporto para receber líderes estrangeiros, embora Trump tenha recebido o presidente russo Vladimir Putin na pista de pouso no Alasca no ano passado. Acredita-se que as últimas recepções desse tipo em Andrews — além das visitas papais — foram a recepção de John F. Kennedy ao primeiro-ministro britânico Harold Macmillan em 1962 e a recepção de Dwight D. Eisenhower ao líder soviético Nikita Khrushchev em 1959.

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