Preço acessível torna a Geração Z americana receptiva a veículos elétricos e chips chineses

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Fonte da notícia: Valor Valor

Uma pesquisa divulgada este ano pela Cox Automotive revelou que 69% dos motoristas americanos da Geração Z considerariam comprar veículos de montadoras chinesas, como BYD ou Geely. Esse grupo demográfico — que abrange desde a idade escolar do ensino médio até cerca de 30 anos — representa cerca de um quinto dos consumidores americanos e deve influenciar as tendências de consumo por uma década ou mais.

Uma prioridade máxima para essa faixa etária é o preço acesssível. O valor médio de um veículo novo nos Estados Unidos subiu para cerca de US$ 50 mil, enquanto a alta nos preços dos combustíveis elevou o custo de utilizá-los.

As marcas chinesas de veículos elétricos têm despertado o interesse da Geração Z devido aos seus preços relativamente baixos. O modelo compacto Dolphin Surf, da BYD, por exemplo, é vendido pelo equivalente a cerca de US$ 25 mil na Europa. Gerações mais velhas tendem a valorizar a confiabilidade e a segurança acima do preço.

Os veículos elétricos chineses estão sujeitos a uma tarifa de 100% nos Estados Unidos, o que equivale a uma proibição de importação. No entanto, o presidente Donald Trump disse recentemente que "não veria problemas" em empresas chinesas fabricarem carros nos Estados Unidos.

Embora isso tenha gerado oposição da indústria automobilística americana, a questão da acessibilidade de preço tornou-se um ponto central de debate antes das eleições de meio de mandato em novembro. Alguns observadores veem os automóveis como uma possível moeda de troca em negociações sobre temas diplomáticos e econômicos durante a cúpula de Trump com o presidente chinês, Xi Jinping, nesta semana.

A política em torno da acessibilidade de preços também chegou ao setor de semicondutores.

Segundo Chris Miller, professor da Universidade Tufts, em Massachusetts, e autor do livro “Guerra dos Chips: A Luta pela Tecnologia Mais Crítica do Mundo”, os gastos globais com chips de memória este ano crescerão a ponto de atingir seis vezes a média dos últimos 20 anos. O valor deve chegar a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) global, superando os gastos com calçados ou refrigerantes.

Um dos principais impulsionadores desse cenário é a construção de centros de dados por gigantes da tecnologia como Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft. O investimento dessas cinco empresas deve atingir US$ 650 bilhões no ano fiscal de 2026.

A política agressiva de preços dos fabricantes de chips também é um fator relevante. A indústria de semicondutores passa por ciclos de expansão e retração que se repetem a cada poucos anos — um fenômeno conhecido como "ciclo do silício". Os fabricantes estão lucrando o máximo possível antes da próxima queda na demanda.

O resultado tem sido a "chipflação" — uma inflação acelerada de produtos que contêm semicondutores, como smartphones, computadores pessoais e automóveis.

A Apple foi uma das primeiras a demonstrar sua frustração. A empresa apontou os custos dos chips de memória como motivo para o aumento do preço do iPhone, e um executivo sugeriu à imprensa que, se os preços não caíssem, a companhia consideraria todas as opções disponíveis. Para alguns, isso soou como uma insinuação de que a empresa poderia utilizar semicondutores mais baratos provenientes da China.

O governo Trump opôs-se a tal medida, mas a opinião pública pode influenciar sua postura.

Segundo relatos, a Apple avaliou a compra de chips da ChangXin Memory Technology (CXMT), empresa que cresceu rapidamente e se tornou a quarta maior fornecedora mundial de chips DRAM para PCs e smartphones. A visão da Apple é que isso não deveria representar um problema, uma vez que a CXMT não fabrica as memórias de alto desempenho necessárias para aplicações de inteligência artificial (IA).

Em certo momento, Trump chegou a considerar incluir a CXMT em uma lista de banimento comercial. No entanto, optou por não fazê-lo, priorizando acordos com a China sobre tarifas e metais de terras raras.

Os semicondutores também podem entrar na pauta das negociações entre Estados Unidos e China. Washington poderia permitir que a Apple utilizasse semicondutores chineses de padrão básico, oferecendo à China uma oportunidade de se destacar.

Caso isso ocorra, os preços dos chips para PCs e smartphones podem começar a cair — ou despencar, na perspectiva da indústria de semicondutores. Trump poderia, futuramente, permitir a entrada de empresas chinesas no mercado de memória flash — atualmente abastecido por companhias como a japonesa Kioxia Holdings — em uma tentativa de reduzir os preços.

Mudanças sutis estão em curso nas indústrias automotiva e de semicondutores. Ainda persistem preocupações quanto à concorrência desleal por parte de fabricantes chineses, que contam com generosos subsídios e empréstimos a juros baixos concedidos pelo governo e por instituições estatais. Questões de segurança também continuam sendo uma preocupação.

No entanto, o crescente desejo dos consumidores americanos por preços mais baixos torna-se cada vez mais evidente. Se os compradores querem produtos chineses, o governo não pode ignorar essa demanda.

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