Fim de trinta anos de mistério: 'Assassino da praia' confessa ter matado e desmembrado oito mulheres em Nova York

 

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O principal suspeito dos assassinatos de Gilgo Beach, Rex Heuermann, declarou-se culpado nesta quarta-feira, encerrando de forma abrupta um caso que levou mais de três décadas para ser solucionado pelas autoridades nos Estados Unidos.

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Heuermann, de 62 anos, confessou os sete homicídios pelos quais era formalmente acusado, além de um oitavo crime que ainda não havia sido oficialmente imputado. Ele compareceu ao tribunal do condado de Suffolk para o que seria uma audiência de rotina antes do julgamento previsto para o outono.

As vítimas de Heuermann, em sentido horário, a partir da linha superior: Shannan Gilbert, Maureen Brainard-Barnes, Melissa Barthelemy, Valerie Mack, Amber Lynn Costello e Megan Waterman

Reprodução: Condado Policial de Suffolk

Vestido com terno escuro, camisa branca e gravata azul estampada, ele afirmou ao juiz Timothy P. Mazzei que estava fazendo a confissão de forma voluntária e que abria mão do direito de recorrer e de testemunhar em sua própria defesa.

“Você sente que é do seu interesse se declarar culpado?”, perguntou o juiz.

“Sim, sinto”, respondeu Heuermann, assentindo com a cabeça.

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O promotor do condado de Suffolk, Raymond A. Tierney, citou uma a uma as vítimas e questionou o réu sobre como havia causado suas mortes. “Estrangulamento”, respondeu Heuermann repetidamente.

A faixa de areia de Gilgo Beach, em Nova York

SPENCER PLATT / GETTY IMAGES VIA AFP

Ele afirmou que contratava mulheres como acompanhantes, as matava, amarrava seus corpos com estopa e os abandonava ao longo da Ocean Parkway, via da orla que gerou a alcunha do criminoso.

Durante a confissão, Heuermann manteve comportamento calmo, como se estivesse em uma conversa cotidiana. A audiência, realizada diante de uma sala lotada, durou cerca de 20 minutos.

Após o depoimento, o advogado de defesa, Michael Brown, disse que a decisão de assumir a responsabilidade partiu do próprio cliente.

“Houve um momento nesta defesa em que Rex disse: ‘Quero me declarar culpado’”, afirmou Brown. Segundo ele, Heuermann foi motivado pelo desejo de poupar as famílias das vítimas de um julgamento “sensacionalista” e de “evitar que sua própria família passasse por esse sofrimento”. Questionado se o cliente demonstrava arrependimento, respondeu: “Espero que sim”.

A investigação teve início em 2010, quando a polícia encontrou quatro corpos em Gilgo Beach, na costa sul de Long Island. Ao longo dos anos, os restos mortais de 16 pessoas foram localizados na região, incluindo uma mulher assassinada ainda na década de 1990. Desde o começo, parte dos investigadores suspeitava da atuação de um assassino em série, mas o caso foi prejudicado por falhas internas, desorganização e episódios de corrupção.

As autoridades acreditavam que o criminoso escolhia mulheres que anunciavam serviços em sites como Craigslist, utilizava tiras de estopa para amarrá-las e fazia contato por celulares descartáveis, difíceis de rastrear. Dados de torres de telefonia indicavam que ele poderia se deslocar entre Long Island e Manhattan.

Apesar dessas pistas, a polícia levou anos para identificar um suspeito. A virada ocorreu apenas em julho de 2023, com a prisão de Heuermann.

Durante todo esse período, familiares das vítimas pressionaram as autoridades por respostas e questionaram se o ritmo da investigação teria sido diferente caso as mulheres não fossem trabalhadoras do sexo.

Na audiência desta quarta-feira, os nomes das vítimas foram lembrados em voz alta: Megan Waterman, 22 anos; Melissa Barthelemy, 24; Amber Lynn Costello, 27; Maureen Brainard-Barnes, 25; Valerie Mack; Jessica Taylor, 20; Sandra Costilla, 28; e Karen Vergata, 34.