Fim da escala 6x1 já está valendo após aprovação na Câmara? Texto ainda precisa passar pelo Senado

Fim da escala 6x1 já está valendo após aprovação na Câmara? Texto ainda precisa passar pelo Senado

 

Fonte: Bandeira



Com grande apoio e votação esmagadora, a proposta da PEC que define o fim da escala 6x1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em plenário, reduzindo a jornada de trabalho dos brasileiros para 40 horas por semana.

Na primeira etapa, foram 472 votos a favor e apenas 22 contra. Na segunda rodada, o placar foi de 461 a 19. O presidente Lula comemorou a aprovação. Nas redes sociais, disse que o resultado é uma conquista civilizatória e reforçou que agora o governo vai trabalhar pela aprovação no Senado.

O presidente da Câmara antecipou a sessão para blindar o texto e evitar o esvaziamento do plenário. Hugo Motta destacou que a redução da jornada é promoção da saúde e disse que a reforma não vai prejudicar a economia, como alega o setor produtivo.

A PEC, no entanto, já não vale logo e agora vai ao Senado, onde o presidente Lula deve negociar pessoalmente a promulgação ainda este ano com Davi Alcolumbre. Para ser aprovado, o texto precisa de no mínimo 49 votos em dois turnos.

O que prevê o texto? E quem ficou de fora?

Plenário da Câmara dos Deputados durante votação da PEC do fim da escala 6x1.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O texto aprovado estabelece um cronograma de transição gradual de até 14 meses para que o setor produtivo se adapte à nova realidade.

Pelas regras fixadas, a escala cinco por dois entra em vigor 60 dias após a promulgação da PEC.

Nesse mesmo prazo, a jornada cai de 44 para 42 horas semanais. As duas horas restantes serão cortadas de forma definitiva ao longo dos 12 meses seguintes.

Um dos pontos previstos é que aqueles trabalhadores que tenham formação com ensino superior e os salários acima de R$ 21,1 mil não estarão sujeitos ao limite de jornada nem ao controle de ponto.

A ampla maioria no placar se refletiu também nas falas no plenário. Dezenas de parlamentares discursaram em defesa do fim da escala 6x1.

Para tentar constranger o governo, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, que sempre foi contra o fim da escala 6x1, defendeu em plenário a escala 4x3. A estratégia do bolsonarista foi vaiada pelas galerias e considerada desonesta pela bancada governista. Apesar da manobra, a oposição acabou votando em massa a favor da PEC.

Para quebrar a resistência do setor empresarial e garantir o voto do Centrão, o presidente da Câmara fechou um compromisso paralelo de aprovar medidas de alívio econômico. O acordo prevê o reajuste das tabelas do Simples Nacional e do Microempreendedor Individual em um projeto de lei complementar.

Os profissionais que possuem diploma de nível superior e recebem remuneração mensal igual ou superior 21 mil reais não serão atingidos pelas novas regras de limite de jornada.

Segundo os parlamentares, a trava serve para dar liberdade de negociação aos cargos de alta renda e combater a "pejotização".

Na avaliação de economistas, o sucesso do novo modelo a longo prazo dependerá de um ganho real de produtividade nas empresas.

Votação da PEC que define o fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados