Filipe Luís completa 100 jogos no Flamengo em meio a pressão e chance de título da Recopa; veja raio-x do treinador

 

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Longevidade é uma das maiores utopias para os treinadores no futebol brasileiro. No caso do Flamengo, Filipe Luís vem subvertendo uma “maldição” de décadas com conquistas de títulos recentes e está prestes a completar 100 jogos à frente do time, marca que não se alcança de maneira consecutiva desde Carlinhos “Violino”, entre 1991 e 1993. Ao mesmo tempo, os louros do ex-lateral-esquerdo desde que assumiu, no final de 2024, não têm sido suficientes para livrá-lo das críticas nesta temporada. Hoje, a partir das 21h30, contra o Lanús, no Maracanã, em meio a seu momento de maior pressão, tenta levar o rubro-negro ao título da Recopa Sul-Americana.

Números de Filipe Luís pelo Flamengo nos 100 jogos no comando da equipe

Editoria de Artes

A derrota por 1 a 0, na Argentina, serviu para elevar o tom das críticas por conta do futebol apresentado pela equipe em 2026. Para sair do Maracanã campeão, o Flamengo precisa vencer por dois gols ou mais gols de de diferença. Por um, força a prorrogação, com possibilidade de disputa de pênaltis. O Lanús jogará por um empate.

Ou seja, a linha será tênue entre este jogo se transformar em festa para Filipe Luís e o Flamengo ou desencadear uma crise. De toda forma, a passagem do técnico de 40 anos é caracterizada por marcas históricas. Um dos poucos nomes campeões como jogador e treinador pelo rubro-negro, em 2025 ele também se juntou ao grupo seleto dos que fecharam um ano no cargo no século XXI, assim como foi o primeiro desde 2011 a iniciar e fechar uma temporada.

Ter 100 ou mais jogos à frente do rubro-negro é outro feito pouco usual e que apenas 11 técnicos conseguiram na História do clube. Entre eles, figuras contemporâneas como Vanderlei Luxemburgo e Joel Santana, mas estes precisaram de mais de uma passagem.

Treinadores que completaram 100 jogos seguidos ou mais no comando do Flamengo

Editoria de Artes

A sequência que Filipe Luís está prestes a fechar não se vê há 33 anos, quando Carlinhos encerrou a quarta de suas sete passagens no Flamengo. Para achar os outros nomes, é preciso recorrer a Flávio Costa e Fleitas Solich, treinadores recordistas de jogos pelo clube, ou Cláudio Coutinho e Paulo César Carpegiani, arquitetos da geração de ouro no final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

Resultados e mobilização

Na elite do futebol brasileiro atual, Filipe Luís tem o terceiro trabalho mais longevo, atrás de Rogério Ceni, que assumiu o Bahia em setembro de 2023, e Abel Ferreira, anunciado pelo Palmeiras em outubro de 2020.

— Não dá para se iludir achando que a permanência dele nesse tempo é produto de alguma transformação cultural ou de uma imposição de uma filosofia de trabalho. Ele é um dos mais promissores treinadores brasileiros, melhorou o desempenho do Flamengo e o trabalho é de altíssimo nível. Tudo isso é verdade. Mas tudo poderia ser verdade e os resultados não corresponderem — analisa Carlos Eduardo Mansur, colunista do GLOBO e comentarista. — No fim das contas, são os resultados que sustentam um treinador no Brasil. Ele chega aos 100 jogos porque o time jogou bem na maior das partes das vezes e ganhou os principais torneios nesse período. No Brasil, ainda é uma verdade inconveniente, mas é uma verdade.

Bastaram dez jogos marcados por oscilação neste início de temporada — o que incluiu a perda da Supercopa do Brasil para o Corinthians — que Filipe Luís viu seu trabalho ser colocado em xeque. Mesmo no ano vitorioso de 2025, marcado pelos títulos da Libertadores e do Brasileirão, uma ala da torcida seguiu mostrando insatisfação. Nesta passagem para 2026, observa-se uma equipe que perdeu a solidez defensiva e o repertório ofensivo. Para Mansur, também entra na conta o calendário apertado e o desafio para o líder seguir motivando um grupo vencedor:

— É justo que se cobre que o Flamengo jogue melhor. E, sim, embora seja início de temporada, já poderia ter tido algumas atuações melhores. Agora, é preciso considerar o desgaste físico e emocional do ano passado, o quanto é difícil mobilizar um grupo para vencer de novo. E aí você tem o sarrafo que é imposto ao Flamengo, tanto pela opinião pública quanto pela arquibancada. Não basta ganhar, tem que ganhar com um nível de atuação muito alto — aponta Mansur. — Existe no Brasil um imediatismo muito grande. Os resultados do ano passado deram ao Filipe crédito e tempo. Mais do que uma avaliação positiva do trabalho e dos métodos, o que o treinador compra aqui com os resultados é tempo e bom humor.

Filipe Luís com a taça da Libertadores

Adriano Fontes/Flamengo

Para a decisão de hoje, a principal novidade é a presença de Jorginho, fora desde o dia 1º deste mês com lesão na coxa esquerda. O volante treinou durante a semana com os companheiros e será relacionado para, ao menos, ficar no banco de reservas. Desfalques nos últimos jogos, Bruno Henrique e Wallace Yan também treinaram, e Plata volta a ficar à disposição após cumprir suspensão.

É possível que Filipe Luís faça uma mudança no ataque e escale Pedro como titular, o que não aconteceu no jogo de ida. Do lado do Lanús, o treinador Mauricio Pellegrino deve repetir a escalação da primeira partida.