Filho de Claudia Alencar, Yann lança música sobre universo LGBT+ e cita preconceito por ser gay:

Filho de Claudia Alencar, Yann lança música sobre universo LGBT+ e cita preconceito por ser gay: 'Doloroso'

Fonte: Bandeira da fonte

Os últimos 10 anos têm sido muito transformadores para Yann.
Após ter lançado músicas que bombaram em 2017, como "Igual", que virou o tema da parada LGBTQIA+ no Rio, ele abandonou a arte, deixou o Brasil e se mudou para os Estados Unidos para viver seu relacionamento com um americano.
O namoro não deu certo, mas ele fincou raízes na Terra do Tio Sam.
Nos últimos anos, a música voltou com força em sua vida.
Agora, ele lança "Shoot bang kill" trabalho que marca seu retorno ao universo musical.
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— Abandonei a música, pois achei que não era mais pra mim.
Ser artista independente é um caminho muito árduo, muito difícil.
Há dois anos, percebi que ela é o que me motiva e decidi retomar.
Agora lanço "Shoot Bang Kill", um diário muito íntimo que tô entregando para o mundo — conta o cantor, de 38 anos.
Filho da atriz Claudia Alencar, o artista afirma que teve em sua mãe sua maior referência artística.
Ele conta que sempre teve o apoio dela em todos os momentos, não apenas quando decidiu ser cantor, mas também quando contou ser uma pessoa LGBTQIA+.
Na entrevista abaixo, ele fala sobre a relação com a mãe, os desafios de ser cantor e o preconceito sofrido por ser gay.
Confira!
Você sempre quis ser artista? Sentiu pressão de seguir essa carreira por sua mãe também ser artista?
Desde pequeno, sempre gostei de arte.
Começou desde pequenininho, com três anos, quando desenhava.
Depois, fiz teatro na escola e estudei canto por muitos anos.
Crescer em coxia de teatro e em estúdio de TV me fez absorver esse universo.
Ser artista foi um desejo que foi crescendo dentro de mim, foi como eu aprendi a me expressar.
É uma terapia pra mim.
A música é como eu consigo transformar emoção e trauma em arte e liberdade.
Sua mãe foi a sua maior referência?
Em muitos sentidos, sim.
Crescer nos bastidores acabou me influenciando.
Apesar de eu seguir um caminho diferente do da minha mãe, já que sou cantor e não sou ator, isso acaba criando uma influência em você, bem ou mal.
Já meu pai, já falecido, não era artista, mas sim empresário.
Claudia Alencar com o filho Yann
reprodução/ instagram
Imagino que foi uma angústia pra você quando Claudia teve a infecção bacteriana, em 2023, ter que acompanhar tudo de longe...
Sim.
Quando ela piorou, parei de trabalhar por um tempo pra focar na saúde dela e passei um período no Brasil.
Foi um susto tremendo.
Lembro de conversar com o médico e ele me falar assim: "Yann, eu não sei se ela vai sobreviver".
Neste momento, eu estava num estacionamento chorando com o médico, minha mãe completamente desacordada...
Foi horrível.
Hoje ela tá ótima, se recuperou completamente.

Claudia Alencar com o filho Yann
arquivo pessoal
Como é ser uma voz da comunidade LGBT+?
Tenho muito orgulho.
Todas as minhas músicas são sobre questões que passei.
Canto muito sobre relacionamento, já fiz o hino da parada do Rio, fiz um vídeo que levantava sobre várias estatísticas terríveis que existem no Brasil sobre a comunidade e de preconceito, que pra mim era importante que as pessoas soubessem sobre isso.
Quando entrei em contato com os artistas internacionais para enviar vídeos para a comunidade LGBT brasileira, eu recebi e-mail da assessoria deles dizendo que o Brasil é maravilhoso e não tem preconceito nenhum.
E eu falei: "Calma, o Brasil é maravilhoso, mas existe muito preconceito ainda".
A gente precisa mudar isso.
Ser gay nos Estados Unidos é diferente de ser gay no Brasil?
Não.
Ainda mais com o governo atual (Donald Trump).
Nova York, onde moro, é uma cidade muito liberal, mas os Estados Unidos no geral, não.
Ainda existe muito preconceito especialmente com a comunidade trans, que sofre muito.
Em vez de estarem ganhando mais direitos, estão perdendo direitos.

Como você lidou com o preconceito?
Sofria muito bullying na escola.
Me chamavam de viado e gay, mas eu nem sabia o que era isso.
Lembro de uma conversa com a minha mãe, quando tinha cinco anos, e perguntei: "Mãe, o que é gay? Estão me chamando disso na escola".
Foi um processo doloroso porque sofria muito preconceito, não em casa, já que minha mãe me acolheu imediatamente quando soube, mas no colégio era terrível.
Quando me entendi como homossexual, sentia uma grande culpa.
Lembro que a primeira vez que fiquei com um cara, eu me senti tão culpado que fiquei doente, com febre.
Era uma espécie de preconceito interno que eu tinha contra mim mesmo.
Hoje sou feliz demais sendo gay, não trocaria por nada nesse mundo.

Yann
Sam Reiss
Como seu pai reagiu ao saber de sua homossexualidade?
Quando eu contei pra ele, foi um pouco mais difícil que com minha mãe.
A aceitação não foi tão fácil.
Não me expulsou de casa porque minha mãe nunca permitiria e também porque eu já tinha vinte e poucos anos.
Mesmo assim acabou criando um estresse muito grande na nossa relação.
Já com minha mãe foi uma reação natural.
A gente é muito próximo, apesar da distância física, infelizmente, que temos.
Sempre fui muito apegado a ela e a gente sempre se apoiou muito.
Você faz muitos ensaios sensuais.
Já pensou em fazer conteúdo adulto?
Eu não tenho vergonha do meu corpo, mas não tenho coragem.
Pelo menos não por enquanto (risos).
Sou tímido.
Tenho vários amigos que fazem, não tenho nada contra, mas não acho que é pra mim agora.
Tem algum plano B? Voltaria ao Brasil?
Sou formado em marketing e trabalho na área em uma empresa norte-americana.
Foi o que me ocupei no tempo que fiquei fora da música.
Moro em Nova York, mas costumo ir pelo menos uma vez por ano ao Brasil para ver minha família.
Tenho muitas saudades.