Filha de Regina Casé, Benedita estreia no teatro em 'Surda': 'Ser atriz era impensável para mim'

 

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Nascida numa família de grandes comunicadores e artistas (o bisavô Ademar foi um dos pioneiros do rádio no Brasil; o avô Geraldo, produtor e diretor de TV; a mãe, Regina Casé, é uma das atrizes e apresentadoras mais populares do país; e o pai, Luiz Zerbini, é artista plástico), Benedita Casé Zerbini confidencia que, até pouco tempo, não se imaginava trabalhando como atriz.

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— Por causa da surdez, qualquer profissão que envolvesse comunicação direta, em que eu precisasse ficar o tempo todo falando, como a de atriz, era impensável pra mim — conta ela, de 36 anos, que trabalhava por trás das câmeras, como roteirista e diretora audiovisual.

Neste sábado (9), às 20h, Benedita estreia no Teatro Poeirinha, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, o monólogo “Surda”, sob a direção de Débora Lam, depois de ter protagonizado, no ano passado, o longa-metragem “90 decibéis”, dirigido por Fellipe Barbosa e produzido pelos Estúdios Globo (a previsão é que o lançamento seja ainda neste ano). Peça e filme têm a assinatura de Julia Spadaccini, que tem deficiência auditiva como Benedita, também apresentadora do PCDPOD, no YouTube.

A atriz, apresentadora, roteirista e diretora Benedita Casé Zerbini

Jorge Bispo/Divulgação

Surda oralizada

“Nasci ouvinte, mas minha mãe teve uma complicação no parto, descolamento de placenta com hemorragia grave. Peguei pneumonia e fiquei na UTI. Precisei tomar medicamentos muito fortes, que causam surdez. Não se sabia na época. Meus pais só foram descobrir que eu tinha problema de audição nos meus 3 anos, achavam que era questão de dicção. Demorei muito a falar, fazia fono todos os dias. Coloquei o aparelho de surdez com 4 anos e comecei o processo de adaptação. Hoje, tenho 75% a 80% de perda auditiva nos dois ouvidos: não ouço os sons muito agudos, só os graves”.

Revelação da surdez

“Passei por um processo de entendimento enquanto mulher com deficiência. A adolescência talvez tenha sido um dos períodos mais difíceis, com os julgamentos, o bullying... Dá muita insegurança. Tinha muito medo de ser tachada como vítima, incapaz. Não sabia se ia conseguir me relacionar com as pessoas, estudar numa escola regular, fazer amigos, namorar, casar, ter filhos. Depois que me aconteceu tudo isso, achei que era o momento de tornar pública a minha condição de surda (em 2019). Eu tinha mais discernimento. Demorou, mas não foi tardio. Foi o tempo de me entender”.

'A filha da Regina'

“A gente brinca com essa coisa de ser ‘nepobaby’. Isso sempre foi uma preocupação para mim, porque acho que as pessoas às vezes podem ter uma certa dificuldade em reconhecer que realmente gostaram do meu trabalho. A pressão acaba sendo um pouco maior: ‘Ah, ela só está lá por causa da mãe’. Os caminhos que eu fui traçando no filme, por exemplo, minha mãe desconhecia. Quando contei, ela tomou um susto. Eu trato isso na terapia, e tenho levado numa boa. Seria um desperdício rejeitar oportunidades e o conhecimento de pessoas que me rodeiam. Aquele medo de fazer qualquer coisa no audiovisual por ser filha da minha mãe é uma grande besteira. Fui relaxando, e só tenho a agradecer por ter por perto uma mulher tão incrível, que pode me dar conselhos tanto pessoais quanto profissionais”.

Benedita Casé Zerbini e a mãe, Regina Casé: apoio incondicional

Reprodução de Instagram

Maternidade como presente

“Eu sempre quis ser mãe, é o maior presente da minha vida. Mas quando engravidei, tive muitos medos: se eu daria conta, se ouviria o choro do bebê, se conseguiria ficar sozinha com ele em casa... Eu e o Brás (de 8 anos) vamos aprendendo um com o outro. Desde muito pequeno, ele foi me entendendo na prática. Percebeu que se falasse de costas para mim, eu não entenderia nada; assim como se a luz estivesse apagada, porque preciso fazer a leitura labial. Que se ele falasse num tom mais grave, eu compreenderia mais facilmente, que não adiantava falar comigo no outro cômodo porque eu não ouviria. Ele foi entendendo naturalmente, sem eu ter que me explicar. Isso foi muito bonito. Eu e meu filho brincamos que temos superpoderes (risos)”.

Novelas na mira

“Estou doida para fazer novela. E estou pronta. Vou me jogando e experimentando. A minha próxima etapa é provar que posso fazer qualquer papel, não somente o de uma mulher surda”.

Reflexão com humor

“A peça ‘Surda’ tem senso de humor, leveza, apesar de a gente falar sobre assuntos muito sérios, necessários e urgentes. Também provoca, faz refletir. É um vaivém gostoso: num momento você ri; em outro, sente um ‘soco no estômago’, em outro pensa ‘putz, nunca pensei sobre isso’”.

Benedita Casé Zerbini e o filho, Brás: cumplicidade

Reprodução de Instagram

'Surda'

Temporada: 9 de maio a 28 de junho de 2026

Teatro Poeirinha: Rua São João Batista 104, Botafogo — 2537-8053

Dias e horários: quintas, sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h

Ingressos: A partir de R$ 50 (meia-entrada)

Capacidade: 40 pessoas

Duração: 60 minutos

Classificação etária: livre

Venda de ingressos: Sympla e bilheteria do teatro

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