Ferrugem recebeu Alcione nesta quarta-feira (28), no Teatro de Câmara da Cidade das Artes, localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para a gravação de LEGADO: Ferrugem Canta Alcione, seu novo projeto em homenagem à trajetória de uma das maiores vozes do samba brasileiro.
A cantora participará de algumas faixas, em um encontro que celebra seu repertório e sua influência na música nacional. Com aproximadamente 13 músicas, o projeto revisita grandes sucessos da carreira da Marrom, preservando a essência e os arranjos originais das canções.
A proposta de Ferrugem é unir a sua identidade musical à obra de Alcione, em uma homenagem que aproxima diferentes gerações do samba e do pagode. O lançamento acontece em um momento especial para o cantor, que recebeu sua segunda indicação ao Grammy Latino, com o álbum Sentimento concorrendo na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode.
À Quem, Ferrugem falou sobre a responsabilidade de homenagear Alcione no projeto Legado e destacou a importância da cantora para a história do samba e para sua própria trajetória. "Não é mole, não.
É assim, a gente... É como ela diz, não é uma qualquer, né?", começa.
"Então, tem que se fazer com muito respeito, com muito cuidado, respeitando toda a história dela, fazendo com que as pessoas entendam que o fato de eu estar aqui hoje cantando, vivendo de música, fazendo sucesso, é porque ela e vários outros pavimentaram uma estrada que foi muito difícil", completa o cantor.
Segundo o cantor, a artista fez parte de uma geração que precisou superar o preconceito contra o gênero musical e abriu caminho para que outros sambistas conquistassem espaço. Ele ainda relembrou o apoio que recebeu da Marrom no início da carreira.
"O samba é badalado, a gente faz grandes festivais, os sambistas vão no Rock in Rio tocar, mas isso só aconteceu, só é possível hoje porque pessoas como ela ralaram muito. Então, a homenagem vai por conta disso e vai também porque ela segurou a minha mão no início da minha carreira, gravou comigo, me levou para vários lugares, credibilizou, sabe, o meu trabalho.
Então, é só agradecer a Deus e a ela e tentar fazer o melhor, porque é difícil cantar as músicas dela, mas eu vou dar o meu melhor essa noite." Ao explicar como adaptou o repertório de Alcione para sua voz, Ferrugem afirmou que procurou equilibrar as características da cantora com seu próprio estilo.
"Então, o legal é que os nossos timbres se conversam. Então, eu não precisei, tipo, de repente, mudar as tonalidades e tal, mas eu tenho o meu jeito um pouco mais particular de cantar e acho que a galera vai conseguir sentir essa mescla.
Eu quis deixar o sentimento das músicas dela soar até dentro de mim e pôr pra fora com a essência dela e um pouco da minha essência também. Então, a galera vai conseguir sentir que houve essa mistura, essa alquimia ali, né, de Alcione com Ferrugem."
Indicado ao Grammy Latino, o cantor também relembrou o início da carreira, quando se apresentava em uma pizzaria sem receber cachê, e comparou aquela realidade ao momento que vive atualmente. "Pouquíssimo tempo atrás, pouquíssimos anos, eu tocava numa pizzaria e não tinha nem cachê.
No final, a menina me dava dois guaranás de dois litros e duas pizzas pra eu dividir com o grupo com que eu tocava, que era o grupo 'Tô de Boa'. E hoje eu estou aqui, num senhor teatro desse, homenageando a maior voz do nosso...
a maior voz feminina do nosso país. E com o teatro lotado, com pessoas importantíssimas aqui, é inimaginável.
Eu sei que eu fui cantando e a música me trouxe pra cá." Ferrugem
Revista Quem