O estado de São Paulo decidiu incluir a febre do Nilo no painel viral de arboviroses realizado rotineiramente por unidades sentinela de saúde espalhadas por todo o território. O objetivo, de acordo com Regiane de Paula, coordenadora da Vigilância em Saúde do estado de SP, é monitorar a distribuição da doença. 60+, 70+, 80+, 90+: como homens e mulheres mais velhos podem ganhar músculos em diferentes faixas etárias Quase dois anos depois, como está paciente que recebeu rim de porco em transplante e viveu com órgão por 271 dias — A nossa preocupação é já estarmos preparados e colocarmos no painel um outro vírus para que possamos monitorar a distribuição (da doença) em todo o território. Mas não há preocupação em relação a uma possível epidemia — diz Regiane.
Recentemente, o estado de São Paulo confirmou seus dois primeiros casos na história em duas cidades do interior, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Outros dois casos também foram confirmados este ano em Santa Catarina, nas cidades de Caçador e Imbituba, sendo que o segundo evoluiu para óbito. A febre do Nilo é uma doença transmitida pela picada do mosquito Culex, o pernilongo comum. Os hospedeiros naturais do vírus do Nilo Ocidental são algumas espécies de aves silvestres. Os pernilongos picam as aves hospedeiras, se contaminam e passam a transmitir a doença.
Regiane explica que atualmente existe uma importante rota migratória de aves que vem da Argentina e percorrem o caminho que passa por estados como Santa Catarina e São Paulo. — Quando falamos de aves migratórias, temos que lembrar que está acontecendo o El Niño e há previsão de um super El Niño, então existem características dessas aves migratórias que estão se diferenciando. Eu preciso montar uma vigilância em saúde que me dê condições de avaliar o que está acontecendo no território — explica a coordenadora da Vigilância em Saúde do estado de SP. — Esse é um procedimento de vigilância em saúde. Frente a esses dois novos casos que tivemos no estado, decidimos colocar a febre do Nilo como sendo um diagnóstico diferencial nesses sentinelas. Unidades sentinela Em 2024, quando houve uma importante epidemia de dengue no Brasil e São Paulo foi um dos estados mais afetados, foi implementado um sistema de 73 unidades sentinelas - que pode ser uma UBS, um hospital ou uma UPA - distribuídas estrategicamente em todo o estado pra fazer testagem de dengue, zika, chikungunya, mayaro, oropouche e febre amarela. — Um paciente que chega em uma dessas sentinelas com sinais e sintomas de arbovirose é submetido a uma coleta de amostras que é enviada para testagem no Instituto Adolfo Lutz — explica Regiane. — Agora, vamos fazer todos esses painéis virais, mais a febre do Nilo. Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de SP ressalta que essas sentinelas são exclusivas aqui do estado de São Paulo.
— Somos o primeiro estado a implantar isso no ano de 2024 e também o primeiro estado a incluir no painel viral para diagnóstico diferencial a febre do Nilo — diz Tatiana.
O Globo