Pelo menos 135 médicos de um hospital público mexicano adoeceram após consumirem alimentos contaminados com salmonela na cantina do local, informaram autoridades e os afetados nesta segunda-feira. Com cartazes com mensagens como "Minha saúde importa!" e "Quem se importa com aqueles que nós cuidamos?", dezenas de médicos residentes protestaram em frente ao Hospital Eduardo Liceaga, afetado pelo surto e localizado em um bairro central da capital. Leia também: Bebê de 6 semanas morre de sarampo nos EUA Lito Sousa: Anvisa autoriza importação de medicamento experimental para tratamento do influenciador "Supomos que tenha sido no café da manhã do dia 31 de agosto, com alguns ovos", e ao anoitecer "quase todos nós estávamos doentes", disse à AFP uma das médicas afetadas, que pediu para não ser identificada. "A comida estava estragada, com vermes, com mofo, e estamos constantemente sem água", acrescentou, denunciando as condições precárias do hospital no último ano e meio. A administração da unidade, que faz parte da rede federal de saúde, reconheceu em comunicado que o surto foi identificado no último dia de agosto, após um "aumento repentino de pessoas com sintomas gastrointestinais", como dor abdominal, diarreia e vômito.
O secretário de Saúde, David Kershenobich, detalhou em um vídeo nas redes sociais que o surto de salmonela afetou 135 médicos residentes, 41 dos quais precisaram de internação. "Todos estão bem", afirmou. Mas, segundo os médicos presentes no protesto e em depoimentos à AFP, o número de infecções chegou a 227, dos quais 67 foram hospitalizados, 15 deles em terapia intensiva. Este hospital possui um refeitório institucional exclusivo para médicos residentes e altamente especializados, portanto, o surto ficou restrito a essa área. Mas Kershenobich informou que, "com urgência", serão realizadas investigações neste e em outros centros médicos, e as condições dos serviços de alimentação nas instituições federais de saúde serão revisadas.
O Globo