A febre por Harry Styles em Nova York nos últimos dois meses tem sido palpável. Tudo começou em agosto, quando dezenas de pessoas acamparam do lado de fora do Madison Square Garden antes do primeiro show da temporada de 30 apresentações do cantor no local.
Em setembro, fãs disputaram um concurso de sósias na Times Square. Filas de quatro horas se formaram diante da loja temporária do astro no East Village.
Na semana passada, Brad Hoylman-Sigal, presidente do distrito de Manhattan, declarou o dia 31 de outubro como o "Dia de Celebração de Harry Styles". 29 países: Aventureiro britânico completa volta ao mundo a pé após 28 anos e vai virar tema de documentário dirigido por Werner Herzog
Saiba quem é: Bilionária que foi criticada por se fantasiar de sem-teto no Halloween já foi presa por tentar 'enganar' a justiça E não foi por acaso que o cantor encerrou sua passagem pela cidade justamente em um feriado que convida à extravagância.
Os dois últimos shows da etapa nova-iorquina da turnê "Together, Together", de Styles, trouxeram a mais recente edição do que o astro britânico chama de "Harryween". Milhares de fãs foram ao Madison Square Garden na noite de sábado vestidos de bruxas, personagens de "Os Fantasmas se Divertem" e alienígenas de cores neon.
Uma Styler, como são conhecidas as admiradoras do cantor, usava um broche com os dizeres "Trick or TPWK" — uma brincadeira com a expressão "gostosuras ou travessuras" e a sigla de "treat people with kindness" ("trate as pessoas com gentileza", na tradução), lema antigo de Styles e título de uma música lançada pelo artista em 2019.
— Sempre quis ir ao Harryween, mas é muito difícil conseguir ingressos — disse Lexi Donnelly, estudante de neurociência de 20 anos da Universidade Drew, em Nova Jersey. Pessoas fantasiadas de alienígenas aguardam o início do show do 'Harryween', parte da temporada de apresentações de Harry Styles no Madison Square Garden, em Manhattan, em 31 de outubro de 2026.
Uma fã afirmou que a energia do evento é 'dez vezes melhor' do que a de um show comum do cantor Joe Timmerman / The New York Times
Lexi estava fantasiada de Grace, uma boneca da linha American Girl, inspirada na música "American Girls", de Styles. Seu pai, que havia conseguido os ingressos, usava uma fantasia inspirada no White Castle, rede de fast-food que apareceu em uma esquete do programa "Saturday Night Live" na qual Styles trabalhava no drive-thru de uma lanchonete.
Styles promoveu o primeiro Harryween em 2021, também no Madison Square Garden, como parte da turnê "Love on Tour". Naquela ocasião, subiu ao palco vestido de Dorothy, de "O Mágico de Oz", e, na noite seguinte, de palhaço.
Seus fãs não perderam a oportunidade de entrar no clima: apareceram fantasiados de Oompa-Loompas, sereias e até tigelas de frutas. Em 2022, o cantor promoveu uma festa-show semelhante na Califórnia, quando se vestiu como Danny Zuko, de "Grease".
Na noite de sexta-feira, Styles apareceu no palco caracterizado como Elvis Presley e, mais tarde, como sua versão adolescente, na época em que participou da audição para o programa "The X Factor", em 2010. Para o show de sábado, a escolha foi o Pizza Rat, o rato que viralizou na internet em 2015 ao arrastar uma fatia de pizza escada abaixo em uma estação de metrô.
— Sim, é um show do Harry, mas também é Halloween — disse Aliza Kessler, de 31 anos, enquanto aguardava a entrada no Madison Square Garden antes da apresentação de sábado. Sua amiga Christina Agosta, de 32, acrescentou:
— A energia do público também é dez vezes melhor. Fãs prontos para o 'Harryween', em Nova York
Joe Timmerman / The New York Times As duas estavam participando de seu segundo Harryween.
Em contraste, Lauren Narvey, de 16 anos, estava prestes a assistir sozinha a seu primeiro show de Styles (quando era criança, ela havia visto o antigo grupo do cantor, o One Direction, se apresentar). Ela e a mãe viajaram de Winnipeg, no Canadá.
— Escuto Harry Styles desde que tinha cerca de um ano — disse Lauren, que estava fantasiada de David Bowie, com botas prateadas de cano alto, meia-calça vermelha e um raio brilhante vermelho e azul atravessando o rosto. — Acho que Harry é uma espécie de David Bowie desta geração — explicou.
Sua mãe, Sylvia Kogan, de 50 anos, havia escolhido uma fantasia de borboleta. Para muitos fãs, a despedida de Styles de Nova York será difícil de suportar.
Durante aproximadamente dez semanas, enquanto fez da cidade sua casa, o cantor provocou uma onda de aparições que mobilizaram os admiradores: foi visto correndo pelas ruas e deu origem a uma tendência no TikTok depois de atravessar a pé a ponte Williamsburg. Styles também foi flagrado discutindo com uma pessoa que tentava conseguir um autógrafo, mas esse não foi o único episódio de descontentamento provocado por sua temporada de shows.
Em setembro, a proprietária de uma livraria no East Village foi acusada de assédio e porte de arma depois de perder a paciência com as filas intermináveis que se formavam diante da loja temporária do cantor, localizada no mesmo quarteirão. Ainda neste mês, Styles dará início a uma série de apresentações em Melbourne, na Austrália.
No sábado, Lexi Donnelly, a estudante universitária, tentou levar na esportiva o fim da passagem do astro pop por Nova York. Sua mãe, porém, sabia que seria difícil.
— Ela vai chorar amanhã — disse Maryam Donnelly, de 56 anos, que usava uma fantasia de melancia. — Quando Harry for embora, ela vai ficar revendo o vídeo que fez em um looping infinito.
O Globo