O ex-agente do Mossad Menachem Booky Halevy é citado em apuração sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, segundo reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (1º). A própria reportagem afirma que os elementos apresentados não comprovam que ele tenha organizado ou facilitado a viagem do senador aos Estados Unidos.
Halevy aparece em fotos ao lado de autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. De acordo com o Fantástico, ele fez outras três viagens ao Brasil em 2026, a mais recente em 19 de outubro, poucos dias antes do segundo turno, acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre, que já defendeu Jair Bolsonaro.
Segundo a apuração, uma van da empresa Dallas Turismo cruzou a fronteira com a Argentina sete minutos antes de outro veículo que poderia transportar o senador e familiares. O motorista, Neri Luiz Dala Corte, disse ter sido contratado para levar dois homens ao aeroporto de Puerto Iguazú e negou ter visto integrantes da família Bolsonaro.
Registros migratórios argentinos atribuídos a Flávio mostram entrada às 22h37 com passaporte italiano, às 22h40 com carteira de motorista e às 23h11 com passaporte brasileiro. Os dois registros com documentos brasileiros foram cancelados, e apenas o do passaporte italiano permanece válido.
A mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas teriam seguido outra rota: saíram de Brasília de avião para Cascavel (PR), embarcaram às 20h02 em uma van da Dallas Turismo e cruzaram a fronteira algumas horas depois. Um jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, é apontado como possível aeronave usada na viagem aos Estados Unidos.
Tomaz negou que a viagem tenha ocorrido e negou envolvimento nas práticas investigadas. O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o advogado em dois inquéritos, sobre lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas e sobre repasses de Daniel Vorcaro ao filme “Dark Horse”.
A reportagem não detalha qual órgão investiga Halevy nem a natureza da apuração. Halevy, Roberto Jorge Alexandre, Flávio Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro não se manifestaram.
A presença do ex-agente, os registros migratórios e a movimentação de veículos e aeronaves ainda dependem de esclarecimentos. A reportagem cita ainda o jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal C5N.
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