A proibição das bets pelo governo Lula pode acabar fortalecendo justamente o mercado que pretende combater, de acordo com o estudo do Ranking dos Políticos, que aponta que países que restringiram as apostas online não conseguiram eliminar a atividade. Em alguns deles, apostadores migraram para plataformas clandestinas e estrangeiras, fora do alcance da fiscalização.
O levantamento analisou experiências de 11 países e identificou consequências como perda de arrecadação, saída de recursos para o exterior e dificuldades para combater operadores ilegais. Na Índia, cerca de um em cada três usuários passou a recorrer a plataformas estrangeiras após a proibição de jogos online a dinheiro, em 2025.
Na Indonésia, mesmo com uma redução de 20% na movimentação das apostas, 12,3 milhões de pessoas continuaram realizando depósitos em sites ilegais naquele ano. O Brasil já enfrentava dificuldades para conter esse mercado antes mesmo da proibição.
Segundo os dados reunidos pelo estudo, mais de 25 mil sites clandestinos foram bloqueados em 2025, quando as bets ainda operavam legalmente. Só naquele ano, o mercado regulado registrou receita bruta de R$ 37 bilhões, enquanto o ilegal foi estimado entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões.
Em setembro, quando Lula editou a Medida Provisória 1.394/2026, proibindo a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa, as empresas tiveram de encerrar as operações, e as autorizações foram extintas em 25 de outubro. O diretor de operações do Ranking dos Políticos, Luan Sperandio, explicou que a proibição gera questionamentos sobre a segurança jurídica das empresas que receberam autorização do próprio governo.
“A MP do governo Lula proibiu da noite para o dia um mercado que o próprio governo regulamentou e cobrou para autorizar”, afirmou. Nesta terça-feira (3), o ministro Luiz Fux, do Supremo tribunal Federal (STF), realizará uma audiência pública para discutir os impactos da medida.
Fux é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, que questiona a nova regra.
Diario do poder