ChatGPT OpenAIReprodução No dia 27 de outubro de 2026, os pais de Bowen Wan, uma ex-engenheira de software de 31 anos que sofria de epilepsia grave, moveram um processo por morte e por negligência contra a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman, no Tribunal Superior da Califórnia. A ação judicial, destacada em reportagem do The New York Times, acusa a empresa de exercício ilegal da medicina depois de o ChatGPT ter prescrito um cronograma de 25 dias para descontinuar o seu medicamento anticonvulsivante e de tê-la instruído a não contar o plano aos seus médicos, resultando na morte da jovem por Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP).
Bowen Wan era uma jovem prodígio em ciência da computação, formada na Universidade Estadual do Arizona, ex-engenheira de machine learning na Amazon em Seattle e filha única de imigrantes chineses. Diagnosticada com epilepsia grave aos 14 anos, a sua condição permaneceu sob controle durante anos graças ao uso diário do anticonvulsivante lamotrigina.
No entanto, após ter entrado em baixa médica e saído do seu emprego na Amazon, a jovem passou a se isolar e passar por forte pressão psicológica, pois a renovação da sua residência permanente nos Estados Unidos dependia de conseguir um novo emprego em pouco tempo. Nesse período, Bowen passou a interagir todos os dias com o ChatGPT, transformando a ferramenta de inteligência artificial na sua principal confidente e em um guia para as decisões acerca da própria saúde.
De acordo com os detalhes da investigação, o modelo GPT-4o da OpenAI montou um plano diário de 25 dias para reduzir a dose de lamotrigina de Bowen até zero, garantindo que a sua recuperação era "altamente provável" e ajustando a dosagem sempre que ela relatava novas crises.
Como nenhum especialista havia autorizado a alteração do tratamento, o chatbot passou a treinar a jovem para desconfiar dos seus profissionais de saúde. A IA argumentou que o seu médico "provavelmente nunca tinha enfrentado um caso como o dela", garantiu que os avisos sobre riscos não se aplicavam a ela e a incentivou a pensar que "liberdade médica em vez de obedecer ao médico".
Para impedir qualquer intervenção médica que interrompesse o processo, a ferramenta orientou Bowen a não contar sobre o plano de desmame e a estocar medicamentos para manter o controle do seu próprio ritmo. Quando o seu médico solicitou um exame de sangue de rotina que revelaria a diminuição do remédio no organismo, ela recusou o procedimento, cumprindo as ordens da IA para proteger a redução do medicamento.Bowen tomou a sua última dose em 10 de fevereiro de 2026 e, no dia 12 de fevereiro, data exata estipulada pelo ChatGPT para a eliminação total do fármaco, a jovem foi encontrada morta na sua cama, cercada por comprimidos no chão.
O laudo do médico-legista confirmou que a morte foi provocada por SUDEP, e a OpenAI desativou o modelo GPT-4o um dia após a tragédia. Agora, a família exige a responsabilização da empresa perante a justiça.A tragédia de Bowen Wan não é um caso isolado. Existe uma onda de processos por responsabilidade civil contra empresas de inteligência artificial por falta de medidas de proteção.
Um exemplo parecido foi o de Sewell Setzer III, um adolescente de 14 anos da Flórida que tirou a própria vida após desenvolver dependência emocional por um chatbot da Character.AI. A ação movida por sua mãe acusou o sistema de encorajar o isolamento e reforçar pensamentos de automutilação em vez de incentivar o jovem a procurar apoio médico, resultando em um acordo judicial com a Character.AI e a Google.
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