Falta de saneamento mantém qualidade da água dos rios da Mata Atlântica precária, aponta estudo

 

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A qualidade da água dos rios da Mata Atlântica permanece precária e sem sinais consistentes de melhora, segundo levantamento do programa Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica. O diagnóstico, que reúne dados coletados por voluntários em diferentes regiões do país, aponta estagnação no cenário, mesmo após a implementação do novo marco legal do saneamento.

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Em entrevista ao Jornal da CBN, Gustavo Veronesi, coordenador da Causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, os resultados refletem a falta de avanço no acesso ao saneamento básico no Brasil, o que impacta diretamente a qualidade dos cursos d’água. Cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável.

"O novo marco legal do saneamento indica que, em 2033, devemos ter 99% da população brasileira atendida com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. No entanto, passados quase metade desse período entre a promulgação da lei e a meta, não vemos avanços na qualidade da água dos rios."

Diversificação dos modelos de tratamento

Estação de tratamento de esgoto da Caesb na Asa Norte, em Brasília

TV Brasil

O especialista defende a necessidade de acelerar os investimentos e diversificar os modelos de tratamento. O sistema tradicional, baseado em redes extensas e grandes estações, é considerado caro e de lento. Alternativas como estações menores, descentralizadas e soluções baseadas na natureza, como bacias de evapotranspiração e biodigestores, são apontadas como caminhos viáveis, especialmente em áreas rurais e comunidades isoladas.

"A gente tem que tanto acelerar o processo como também diversificar esse processo. Esse modelo de coletar esgoto nos imóveis, levar, por meio de tubulações quilométricas, até enormes estações de tratamento de esgoto é muito caro e lento. Diante das mudanças climáticas e das alterações que temos vivido no planeta, isso tem impacto, porque não está na velocidade que a gente precisa."

O levantamento também identifica exemplos pontuais de melhora na qualidade da água em locais que ampliaram a coleta e o tratamento de esgoto, como Florianópolis e Ilhabela.