247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais, as dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação devido à falta de ônibus em grandes cidades brasileiras. O petista classificou a situação como “banditismo” e acusou gestores municipais de prejudicar o deslocamento da população em um momento decisivo para o processo eleitoral.
Segundo reportagem do UOL, as denúncias de problemas no transporte coletivo ganharam força em São Paulo e Salvador, provocando disputas judiciais, pedidos de responsabilização de autoridades municipais e medidas da Justiça Eleitoral para assegurar o funcionamento dos serviços. Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.
A gravidade das denúncias levou Lula a se manifestar publicamente. Em conversa com jornalistas, o presidente condenou as dificuldades impostas aos eleitores e dirigiu críticas a prefeitos, governadores e empresários.
“Desta vez, está acontecendo uma coisa abominável [..] Não vamos permitir que haja roubalheira, banditismo e prefeito bandido. Não vamos aceitar banditismo, mau caratismo de prefeito, de governador e de empresário”, afirmou.
Lula também classificou a situação como “sacanagem”, em uma reação às denúncias de que a insuficiência de ônibus estaria comprometendo o acesso de eleitores às urnas. Justiça Eleitoral determina prisão de secretário em Salvador
Na capital baiana, a crise no transporte público provocou uma reação da federação formada por PT, PCdoB e PV. Os partidos solicitaram ao TRE-BA a prisão em flagrante do prefeito Bruno Reis (União Brasil), além da aplicação de multa de R$ 1 milhão por hora ao chefe do Executivo municipal, ao secretário Pablo Souza e aos proprietários das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
A representação também pede a investigação de possíveis crimes eleitorais relacionados aos problemas registrados na circulação dos ônibus. O TRE-BA determinou a prisão de Pablo Souza.
A informação representa um agravamento da crise entre a administração municipal e a Justiça Eleitoral, diante das denúncias de dificuldades de deslocamento durante a votação. A Prefeitura de Salvador, por sua vez, informou que a operação dos ônibus foi normalizada.
Segundo a gestão municipal, a circulação chegou a ser suspensa no início da manhã em algumas garagens porque veículos teriam recebido adesivos de candidatos de maneira “clandestina”. A explicação apresentada pela administração de Bruno Reis coloca a suposta colocação irregular de propaganda eleitoral nos coletivos como motivo para a interrupção parcial das operações.
O relato, entretanto, não elimina a controvérsia sobre os efeitos da medida no deslocamento dos eleitores. Prefeitura de São Paulo apresenta justificativa para operação dos ônibus
Em São Paulo, a administração municipal também foi cobrada em razão da oferta de transporte coletivo no segundo turno. A Prefeitura informou, em nota divulgada neste domingo, que havia comunicado às empresas de ônibus da capital, ainda no sábado (24), a decisão judicial relacionada à operação do sistema durante a votação.
A SPTrans, responsável pela gestão do transporte municipal, afirmou que o planejamento da frota para o domingo seguiu “critérios técnicos e dados de demanda, considerando a organização das jornadas de trabalho e o direito à folga dos profissionais”. A administração municipal também alegou que recebeu a demanda com “antecedência inferior a 12 horas”, argumento utilizado para justificar as dificuldades de adequação do serviço às determinações judiciais.
As explicações surgem em meio à controvérsia sobre a disponibilidade de veículos em um domingo de votação, quando o transporte público desempenha papel fundamental para eleitores que precisam percorrer longas distâncias até suas seções eleitorais. Transporte público se torna foco de tensão no segundo turno
As ocorrências em São Paulo e Salvador colocaram o funcionamento dos sistemas municipais de ônibus no centro das discussões sobre as condições de acesso às urnas. A situação é especialmente sensível para eleitores que dependem exclusivamente do transporte coletivo, uma vez que a redução da oferta de veículos pode dificultar ou prolongar o deslocamento até os locais de votação.
Na Bahia, a controvérsia avançou para pedidos de prisão, multas e investigação de possíveis crimes eleitorais. Em São Paulo, as justificativas apresentadas pela prefeitura e pela SPTrans passaram a integrar o debate sobre o cumprimento das determinações judiciais.
A reação de Lula acrescentou uma dimensão política nacional ao episódio. Ao utilizar expressões como “banditismo” e “mau caratismo”, o presidente demonstrou preocupação com a possibilidade de que dificuldades no transporte comprometam o exercício do direito ao voto.
As denúncias e as medidas judiciais reforçam a importância de garantir a circulação dos ônibus durante todo o período de votação, de maneira a preservar o acesso dos cidadãos às urnas. A eventual existência de responsabilidades administrativas ou eleitorais dependerá da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Brasil 247