Falta de energia vira principal obstáculo à expansão do setor de petróleo na Venezuela

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Fonte da notícia: Valor Valor

Executivos reunidos em Caracas nesta semana para a primeira grande conferência de energia desde que Washington lançou um esforço de US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria petrolífera da Venezuela estão alertando para a lentidão dos avanços na solução do maior obstáculo a seus projetos de expansão: a falta de confiabilidade do fornecimento de energia elétrica. Leia também: Trump e Delcy Rodríguez discutiram reestruturação da dívida da Venezuela, diz Rubio Na ONU, Presidente do Paraguai defende retorno da Venezuela ao Mercosul Venezuela se aproxima de acordo para transferir reserva de ouro de US$ 4 bi para os EUA, diz jornal Com um déficit de eletricidade ainda não solucionado de mais de 1.500 megawatts (MW), os antigos problemas de falta de energia no país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão piorando à medida que a demanda se recupera, deixando residências, estabelecimentos comerciais e fábricas sem eletricidade durante horas todos os dias.

Mesmo após a aprovação, em janeiro, de uma exigência legal para que novos projetos do setor de energia gerem sua própria eletricidade, muitos executivos não veem como iniciar ou ampliar projetos de petróleo e gás se o governo não acelerar seus planos para recuperar a capacidade de geração e consertar a deteriorada rede elétrica.

Várias empresas apresentaram ao governo projetos para captar e utilizar na geração de eletricidade grandes volumes de gás que atualmente são queimados. Mas nenhum deles começou a ser implementado.

“A indústria, de modo geral, precisa enfrentar o desafio de recuperar o sistema elétrico”, disse Claudio Villalobos, gerente da área de movimento para América Central e Caribe da empresa de eletrificação e automação ABB, durante a conferência. Acordo de Trump sobre petróleo da Venezuela reprisa passado colonial Pedro Mattey/AP

Questionado sobre como enfrentar o problema, Hunter Hunt, CEO da produtora privada americana de energia Hunt Energy Holdings, disse não saber, mas acrescentou que o pico de demanda do país, de cerca de 16 mil MW, não é tão elevado a ponto de tornar inviáveis possíveis soluções.

“Acredito que haja uma compreensão fundamental na Venezuela de que, se realmente quisermos ver os recursos daqui serem desenvolvidos de forma rápida, responsável, ambientalmente adequada e em benefício do povo venezuelano, será necessário um esforço muito mais coordenado”, disse ele na terça-feira durante o Venezuela International Oil & Gas Summit, referindo-se aos problemas de energia elétrica.

Nas regiões duramente afetadas por cortes de energia de até dez horas por dia, os protestos e a frustração estão aumentando, já que a falta de eletricidade impede crianças de frequentar a escola, comerciantes de abrir seus estabelecimentos e pessoas de trabalhar. A falta de ar-condicionado também dificulta dormir em meio ao calor.

“Internamente, estimamos necessidades de investimento de US$ 5 bilhões” para recuperar e automatizar o sistema elétrico da Venezuela, disse Sandra Conde, diretora de transporte e gás do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), durante a conferência nesta quarta-feira.

Apenas 40% da capacidade instalada de geração de energia da Venezuela, de cerca de 32.800 MW, está disponível, disse Conde, acrescentando que grandes projetos petrolíferos na Faixa do Orinoco, região rica em recursos petrolíferos no sudeste do país, exigirão mais eletricidade.

O ministro da Energia Elétrica da Venezuela, Rolando Alcala, disse na noite de terça-feira, em entrevista à televisão estatal, que importantes projetos com empresas como Eurobras, IMPSA, GE Vernova e Siemens Energy estão avançando para recuperar a geração hidrelétrica e termelétrica.

Até o fim do ano, até 4.800 MW voltariam a entrar em operação, de acordo com um plano anunciado no início deste ano pela presidente interina Delcy Rodriguez.

Após muitas promessas não cumpridas, analistas e especialistas duvidam da capacidade do governo de atingir essa meta, mesmo depois dos acordos recentemente firmados com fornecedores de energia e fabricantes.

O advogado Juan Carlos Pro-Risquez, da Dentons, que assessora empresas interessadas em investir na Venezuela, também ressaltou a necessidade de melhorar o fornecimento de energia.

“O desafio é importante. A eletricidade precisa melhorar.” Painel no Venezuela International Oil & Gas Summit 2026, primeira grande conferência internacional de energia realizada desde que os Estados Unidos retiraram o presidente Nicolás Maduro do poder REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

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