Falou, foi expulso: grupos de WhatsApp onde só vale assobiar viram febre e reúnem milhares de pessoas Brasil afora; entenda

 

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Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul: o que esses estados têm em comum para estarem conectados no mesmo grupo de WhatsApp? Comunidades dedicadas exclusivamente a áudios de assobio se espalharam nos últimos dias e passaram a reunir milhares de participantes de diferentes países. A dinâmica é simples e rígida: não há espaço para mensagens de texto, imagens ou conversas paralelas — só assobios, enviados em sequência quase sem parar ao longo do dia.

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O GLOBO teve acesso a um dos grupos, que reúne mais de 910 participantes, com DDDs de estados como Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além de integrantes de outros países, como Estados Unidos e Paraguai.

Neste grupo, a regra é clara já na descrição: “proibido digitar, somente assovios”. O GLOBO estima que, ao longo de um dia, mais de 500 áudios curtos sejam enviados pelos participantes.

Sequência de áudios domina grupo de assoviadores: mensagens são apenas sons, sem qualquer uso de texto

Reprodução

Em alguns desses grupos, a regra é levada ao extremo. Qualquer tentativa de escrever ou fugir do padrão resulta em remoção imediata. A lógica funciona como um “código silencioso” compartilhado entre os participantes, que se comunicam apenas por meio de variações de sons, ritmos e melodias assobiadas.

Quem mais entrou na onda foram os jovens, principalmente homens, que transformaram o negócio num passatempo coletivo.

Por que assobiamos?

O assobio é mais comum do que parece e tem uma explicação simples do ponto de vista físico: ele acontece quando o ar é expelido de forma controlada pelos lábios, criando uma vibração que gera som. A boca funciona como uma espécie de “caixa de ressonância”, ajudando a moldar e amplificar esse som em diferentes tons e melodias.

Além da parte física, o hábito também tem ligação com comportamento. Assobiar costuma aparecer em momentos de distração, tédio ou relaxamento — como quando alguém está andando na rua ou fazendo uma tarefa automática. Estudos indicam que o ato envolve coordenação entre respiração, audição e controle muscular fino, o que faz com que o cérebro ajuste o som em tempo real.

Historicamente, o assobio também já foi usado como forma de comunicação. Em algumas regiões do mundo, ele servia para transmitir mensagens a longas distâncias, substituindo a fala em ambientes onde gritar não era eficiente.