'Falaram para vestir': suspeito diz em depoimento que PMs deram camiseta do PT durante prisão

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O homem de 21 anos preso por tráfico de drogas em Piracicaba (SP), na quarta-feira (21), afirmou em depoimento à Polícia Civil que policiais militares mandaram que ele vestisse uma camiseta em alusão à campanha de Lula durante a abordagem, segundo informações do g1. Nesta quinta-feira (22), a Justiça determinou a soltura do acusado. O outro suspeito, de 24 anos, permaneceu preso. Já um adolescente de 17 anos seguiu para uma unidade da Fundação Casa. O g1 obteve aceso ao depoimento do jovem que foi solto, onde ele diz que foi orientado a vestir a camiseta. O suspeito também afirmou que não sofreu violência.

"Questionado em relação à camiseta branca de cunho político que ostentava ao chegar nesta delegacia, afirma que quando todos foram abordados, em determinado momento, os policiais acharam essas camisetas jogadas em algum barraco da viela e falaram para vestir. Questionado, relata que não sofreu violência física ou psicológica", cita trecho. Os três foram apresentados na delegacia com camisetas do PT. A imagem foi explorada nas redes sociais pelo senador reeleito Guilherme Derrite (PP). Segundo testemunhas e a mãe do adolescente, os policiais obrigaram que eles as vestissem. Já a defesa de um dos policiais nega a acusação. Mulheres teriam sido obrigadas a entregar camisetas do PT a PMs, diz testemunha Ao g1, o Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP) informou que houve a imposição de medidas cautelares para o jovem que foi solto. São elas: comparecimento bimestral em juízo para informar e justificar atividades; proibição de frequentar bares, adegas e estabelecimentos congêneres; proibição de ausentar-se da Comarca sem autorização judicial, por mais de 8 dias; comparecer a todos os atos do inquérito e eventual processo sempre que intimado; informar endereço e telefone atualizados, devendo informar no cartório do fórum qualquer alteração. PMs acusados de forjar situação A deputada estadual Professora Bebel (PT), que denunciou o caso, afirmou ao g1 que as camisetas que o trio vestia são uniformes de campanha e só pessoas contratadas para trabalhar receberam a vestimenta para identificação. Bebel afirmou que entrou com representação na Corregedoria da PM. Já a mãe do jovem apreendido afirmou que o filho é usuário de drogas e não traficante. Segundo ela, ele não atua em campanha política. A mulher também disse que os policiais invadiram a casa dela. "Eles falaram pra mim que não era pra vir atrás. Aí eles deram um soco no peito da minha filha de 14 anos". A advogada Joice Vanessa dos Santos, que integra a defesa de um dos policiais militares, disse que as acusações "não retratam adequadamente o contexto da ocorrência nem a atuação dos policiais". Santos afirmou, ainda, que é necessário esclarecer as circunstâncias da abordagem, os elementos que motivaram a intervenção policial e a sequência completa dos acontecimentos. Por fim, garantiu que os esclarecimentos e elementos pertinentes serão apresentados às autoridades responsáveis pela apuração. A chegada dos detidos à delegacia foi gravada e a imagem foi compartilhada pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP). Em nota, Derrite afirma que o objetivo da publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e que não fez qualquer menção às camisetas utilizadas pelos envolvidos. "Quanto às alegações apresentadas posteriormente, Derrite defende que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes", completou, por meio da assessoria de imprensa. O post de Derrite tinha mais de 358 mil curtidas e quase 25 mil comentários até a última atualização desta reportagem. O PT pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o Ministério Público Eleitoral (MPE) investigue o caso. O g1 foi ao local durante a manhã desta quinta-feira e ouviu testemunhas que apontam que o trio detido não estava com camiseta do PT na hora da abordagem. "Um estava todo de cinza, um de moletom todo azul, boné e o outro estava de bermuda jeans a camiseta branca", detalhou uma das testemunhas.

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