É #FAKE que jovem espanhola tenha recebido eutanásia por pressão de hospital para doação de órgãos
Circulam nas redes sociais mensagens com desinformação sobre o caso de Noelia Castillo, espanhola de 25 anos que recebeu eutanásia em 26 de março após um longo processo judicial. Publicações afirmaram que um hospital teria pressionado a realização da eutanásia e impossibilitado o adiamento do procedimento por conta de uma suposta doação de órgãos. É #FAKE!
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Além disso, outras publicações alegavam que Noelia não sofria de doença grave, mas apenas de depressão; que o Estado espanhol a teria “abandonado” ou “matado”; e que ela teria sido vítima de agressões sexuais por imigrantes em centros de acolhimento.
O que diz a publicação?
Uma das publicações que circulam nas redes sociais afirma que Noelia Castillo teria sido pressionada a antecipar a eutanásia porque “seus órgãos já estavam designados a outros enfermos”, além de alegar que ela teria sofrido abuso em um centro tutelado e que o Estado espanhol estaria tentando “matá-la para reparti-la”.
É #FAKE que jovem espanhola tenha recebido eutanásia por pressão de hospital para doação de órgãos
Reprodução/X
O post também sugere conflito de interesses ao afirmar, sem provas, que membros do comitê que aprovou o procedimento pertencem a associações pró-eutanásia.
Por que isso é falso?
1 — É falso que houve pressão por doação de órgãos
Em 26 de março, durante as últimas horas antes de sua morte, contas que costumam difundir desinformação afirmaram que o hospital havia pressionado Noelia porque "seus órgãos já estavam comprometidos", de modo que ela não poderia adiar a eutanásia. Uma afirmação também reproduzida por Polonia Castellanos, presidente da associação Abogados Cristianos.
Na Espanha, "quem avalia e autoriza a eutanásia não é o mesmo que coordena a doação e o transplante. Tampouco existe designação prévia de órgãos nem condicionamento do processo em função da doação", explicou à AFP o médico José Gómez Rial, chefe do serviço de imunologia do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago de Compostela.
2 — Não é verdade que ela não tinha doença grave
O pai de Noelia, representado pela associação Abogados Cristianos, tentou impedir nos tribunais que sua filha, maior de idade, tivesse acesso à ajuda para morrer, por considerar que os problemas de saúde mental que ela enfrentava não lhe permitiam tomar a decisão. A partir disso, também se afirmou nas redes sociais que ela receberia a eutanásia por "depressão".
No entanto, segundo a agência France-Presse, diferentes decisões judiciais destacaram que "todos" os profissionais médicos que analisaram a situação da jovem concordaram que ela sofria de "um padecimento grave, crônico e incapacitante", causado por uma "lesão da medula espinhal lombar" que lhe provocava "dor neuropática de difícil controle" e dependência. Um conjunto de fatores que justificava a eutanásia, de acordo com a lei espanhola.
A juíza de um tribunal de Barcelona argumentou que tanto médicos quanto psicólogos e psiquiatras consideraram que a patologia psiquiátrica que ela apresentava não comprometia "sua capacidade de tomar decisões".
Os demais magistrados que analisaram o caso, do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, também não interromperam o processo.
3 — Não há evidência de agressões em centros de acolhimento por grupos específicos
Outros usuários nas redes sociais acusaram o Estado espanhol de "abandoná-la" e "matá-la", já que, quando Noelia era menor de idade, seus pais perderam sua guarda e ela foi acolhida em dois centros para menores, onde supostamente, segundo mensagens virais, teria sido vítima de agressões sexuais por menores estrangeiros, um grupo frequentemente alvo de desinformação na Espanha.
Na realidade, na entrevista mencionada, a jovem falou de três tentativas de agressão sexual, sem mencionar a origem ou nacionalidade dos autores: uma por parte de um ex-parceiro, outra cometida por "dois rapazes" em uma discoteca e a última "três ou quatro dias antes" da tentativa de suicídio que a deixou paraplégica em 2022, já sendo maior de idade.
— Houve uma intenção de aproveitar para confundir o debate e, como em muitos acontecimentos, atacar determinados grupos — opinou López Borrull.
"Não existe nenhum registro de agressão sexual durante sua permanência nos centros da DGPPIA", comunicaram fontes da Direção-Geral de Prevenção e Proteção à Infância e Adolescência (DGPPIA) da Generalitat da Catalunha, responsável por sua permanência nesses centros até 2019, quando completou 18 anos.
As publicações que circulam nas redes sociais distorcem informações sobre o caso, ignoram decisões judiciais e avaliações médicas e utilizam alegações sem comprovação. Portanto, são #FAKE.
