Santo Sudário de Turim: novo estudo revela origem de DNA encontrado em relíquia

 

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O Santo Sudário de Turim, considerado uma das mais importantes relíquias católicas, vem sendo estudado por cientistas desde 1898, quando as primeiras fotografias do pano começaram a circular. Agora, pesquisadores da Universidade de Padova, na Itália, afirmam ter feito a mais extensa análise do DNA presente no sudário.

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Com o objetivo de mapear as contaminações biológicas do tecido como pólen, fibras, fungos e fluidos biológicos humanos, a pesquisa utilizou amostras de fios retiradas em 1978 pelo pesquisador Baima Bollone.

O que os pesquisadores encontraram foi um verdadeiro mosaico de material genético — eles afirmam ser basicamente impossível identificar geneticamente o “indivíduo do sudário”, por conta da sobreposição de DNAs.

A maior parte do DNA humano encontrado foi do próprio coletor, Baima Bollone; seu material genético faz parte do haplogrupo K1a1b1a, um subclado Ashkenazi típico de K1a1b1 com provável origem na Europa Ocidental.

No total, 38.7% dos dados genéticos humanos encontrados partem de linhagens indianas, o que, segundo os cientistas: “é inesperado e está potencialmente ligado às interações históricas associadas à importação de linho ou fios de regiões próximas ao Vale do Indo, referidas como “Hindoyin” de acordo com textos rabínicos”, reforçando a idéia de que o objeto circulou pela região por muitos anos.

Outros haplogrupos encontrados foram os do povo druso, um grupo religioso de fé abraâmica presente na Jordânia, Líbano e Síria e o de outros subgrupos da região da Eurásia Ocidental.

Também foi possível confirmar que os fios de linho usados na datação por radiocarbono confirmam que o sudário passou por um reparo após um incêndio na Capela de Saint-Chapelle em 1532.

De acordo com relatos históricos, freiras clarissas teriam reconstruído parte do sudário, reparando os buracos de queimadura costurando remendos de linho sobre as áreas danificadas.

Outros trabalhos de restauração e conservação foram realizados em 1694., provavelmente sob a direção de Sebastian Valfrè, um padre italiano da cidade de Turim, para estabilizar o Sudário.

Quanto à presença de DNA não-humano, os pesquisadores encontraram sinais de bactérias típicas da pele, fungos e microrganismos de ambientes extremos, o que reforça a ideia de manipulação intensa e condições variadas de armazenamento. Além disso, foram encontrados sinais de animais domésticos como vacas, porcos, galinhas, gatos e cachorros.

Já a presença de traços de vegetais pós-descoberta do “Novo Mundo” coloca em xeque a antiguidade do Sudário: traços de plantas como milho e tomate foram encontrados, além de material genético de uma espécie de cenoura desenvolvida, na Europa, entre os séculos XV e XVI.

Para os pesquisadores, o estudo ajudou a demonstrar que o sudário aparece como um objeto que “entrou em contato com vários indivíduos” e diferentes ambientes ao longo do tempo, oferecendo “informações sobre as origens geográficas dos indivíduos que interagiram com o Sudário ao longo de sua jornada histórica”.