247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, manifestou preocupação neste sábado (31) com o agravamento da crise institucional na Polônia e alertou para os riscos que as disputas políticas em torno do Tribunal Constitucional do país representam para a democracia.
Em meio a questionamentos sobre a nomeação de magistrados e o cumprimento de decisões judiciais, o ministro defendeu a vigilância da comunidade internacional para preservar a independência do Judiciário. Segundo a coluna da jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, Fachin classificou a situação polonesa como um “sério alerta global” e destacou que o enfraquecimento da autonomia dos tribunais pode comprometer as garantias constitucionais e favorecer abusos de autoridade.
“A defesa da independência judicial é inseparável da defesa da democracia. Quando a Justiça perde sua liberdade de decidir, toda a sociedade perde garantias, e o Estado de Direito fica ameaçado”, afirmou o presidente do STF.
A manifestação ocorre em meio a um impasse que mantém o Tribunal Constitucional da Polônia paralisado há meses. A disputa envolve o presidente Karol Nawrocki, eleito em 2025 com apoio do partido conservador nacionalista Lei e Justiça (PiS), e o primeiro-ministro Donald Tusk, que assumiu o governo em 2023 e busca reverter reformas judiciais implementadas anteriormente pelo PiS.
Para Fachin, a gravidade do confronto ultrapassa as fronteiras polonesas e exige acompanhamento internacional, especialmente diante das controvérsias sobre a composição do tribunal e a autoridade de suas decisões. “A crise institucional que se aprofunda na Polônia, com especial gravidade no âmbito do Tribunal Constitucional, reclama atenção imediata e acompanhamento internacional.
Seus desdobramentos preocupam não apenas aquele país, mas toda a comunidade democrática. Estão em jogo garantias essenciais: a independência dos juízes, o respeito às decisões judiciais, a separação dos Poderes e a proteção dos direitos fundamentais”, declarou.
Disputa política paralisa Tribunal Constitucional O conflito institucional polonês se intensificou com as tentativas do governo de Donald Tusk de modificar a estrutura judicial estabelecida durante os anos de domínio político do PiS.
As iniciativas enfrentam resistência de Nawrocki, aliado da legenda e adversário do primeiro-ministro. Somente neste ano, o presidente polonês bloqueou cinco indicações de magistrados realizadas pelo Parlamento, controlado pelas forças políticas ligadas a Tusk.
A recusa aprofundou o impasse sobre a composição do Tribunal Constitucional e o funcionamento da instituição. Aliados de Nawrocki acusam os adversários políticos, incluindo o primeiro-ministro, de tentar promover um “golpe de estado” por meio das mudanças no sistema judicial.
A disputa ganhou outro capítulo com a decisão da magistrada Anna Korwin-Piotrowska, vinculada ao grupo político de Tusk, de determinar a suspensão, por um mês, do presidente e do vice-presidente do Tribunal Constitucional. Ambos foram indicados durante o período de influência do PiS e são considerados aliados de Nawrocki.
Korwin-Piotrowska também pretende assumir o comando da corte, ampliando o confronto entre os grupos que disputam o controle institucional do Judiciário polonês. Fachin alerta para concentração de poder e restrição de liberdades
Ao comentar os acontecimentos, o presidente do STF ressaltou que pressões políticas sobre magistrados e interferências no funcionamento dos tribunais podem enfraquecer os mecanismos destinados a limitar o exercício do poder estatal. “A situação na Polônia constitui um sério alerta global.
Quando tribunais sofrem pressões ou interferências indevidas, abre-se caminho para a concentração de poder, o enfraquecimento dos mecanismos de controle e a restrição das liberdades individuais. Sem uma Justiça independente, os cidadãos ficam mais vulneráveis aos abusos de autoridade, e a própria Constituição corre o risco de perder sua força como limite ao exercício do poder”, observou.
Brasil 247