Neste domingo de eleição, a coluna reúne uma colinha com as principais propostas de Lula e Flávio para o agro e sobre a bancada que os dois terão de ouvir a partir de 2027. Em Santa Catarina, a previsão do tempo não combina com uma agenda muito rígida: há possibilidade de chuva em diferentes regiões.
Mas o voto deste domingo (25) não depende do céu abrir. Para o agro, a escolha também passa por crédito, seguro rural, dívida, terra, insumos e comida na mesa.
E há um dado que vale levar para a urna: o Congresso que começa em 2027 já foi eleito. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) chega renovada e com perspectiva de crescer.
O presidente da frente, Pedro Lupion, calcula que ela poderá reunir cerca de 330 deputados e 47 senadores ligados às pautas do agro. A coluna de hoje traz uma “colinha” sobre as principais promessas de Lula e Flávio para o campo e sobre a bancada que os dois terão de ouvir a partir de 2027.
Lula propõe ampliar compras públicas da agricultura familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos e o crédito do Pronaf. Seu plano prevê metas para a participação da agricultura familiar nas compras e para alimentos frescos ou minimamente processados na merenda escolar.
O plano de Flávio não detalha uma política específica para o setor, embora ele tenha dito à FPA que daria atenção à agricultura familiar. Lula promete ampliar os recursos e adequar os juros à rentabilidade das atividades.
Flávio defende previsibilidade e juros menores, mas não fixa valores ou metas de crédito no plano. Nesse ponto, a diferença entre diretriz e dinheiro disponível vai ser decisiva.
Lula propõe reforma agrária, estruturação de assentamentos e regularização de territórios tradicionais. Flávio aposta na titulação de pequenas propriedades e na defesa do direito de propriedade com segurança jurídica.
Lula cita adaptação climática, recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta e rastreabilidade. Flávio inclui Cadastro Ambiental Rural, pagamento por serviços ambientais e a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029.
Lula promete fortalecer o seguro e discutir um instrumento para perdas catastróficas. Flávio propõe ampliar o seguro rural e reorganizar dívidas, inclusive com securitização.
Nos dois planos, ainda falta saber como essas medidas serão financiadas e executadas. Os dois falam em ampliar a produção nacional de fertilizantes.
Flávio cita potássio, fosfato e gás natural. Lula combina fertilizantes nacionais com bioinsumos para reduzir a dependência de produtos importados.
A FPA declarou apoio formal a Flávio. O candidato se comprometeu com as pautas da bancada e disse que ela indicará o ministro da Agricultura em um eventual governo.
Isso aproxima o setor do Planalto, mas não é cheque em branco: seguro, crédito e renegociação de dívidas terão de sair do discurso e chegar à propriedade. Se Lula vencer, encontrará uma bancada do agro maior, mais renovada e politicamente organizada, além de uma FPA que apoiou o adversário.
A relação começa com diferenças claras em temas como reforma agrária, propriedade e agenda ambiental, mas o plano de Lula também traz propostas para agricultura familiar, Plano Safra, seguro rural e fertilizantes nacionais. Haverá conflito em algumas pautas e espaço para negociação em outras.
E a bancada não vota como um bloco único: sua força está justamente em articular votos tema a tema. Quem vencer terá de negociar com esse novo Congresso.
A bancada pode pressionar por orçamento, alterar projetos e decidir o destino de políticas importantes para o campo. A urna escolhe o presidente, mas não entrega a ele uma maioria automática, nem resolve a conta do custeio.
No agro, promessa bonita não paga seguro, não reduz juros e não renegocia dívida. E a safra, como se sabe, não espera.
Bom domingo de eleição e bom voto: seja qual for o resultado, a partir de amanhã já começa a cobrança para que as propostas se transformem em decisões para o agro e para o Brasil.
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