Fabricante de ''motinhas'' critica decreto que regulamenta uso de ciclovias
Bernardo Omar, fundador e CEO da Bee, uma das maiores fábricas de ''motinhas'' do país, fez críticas nesta terça-feira pelas redes sociais ao decreto do prefeito Eduardo Cavaliere que equiparou os veículos autopropelidos cuja velocidade máxima chega a 32 Km/h com ps veículos ciclomotores, que podem chegar a 50 Km/h. Ele avalia que a medida seria inconstitucional além de expor os usuários a mais riscos de acidentes, à medida em que ''as motinhas'' não podem mais circular pelas ciclovias.
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— A prefeitura extrapolou todos os limites do poder de regulamentar. Não segue o que determina a legislação federal e as normas técnicas (que definem cada tipo de veículo). Mas a questão não é só essa. Há pouco tempo aconteceu um acidente horrível em que mãe e filho morreram quando ela circulava em meio ao trânsito com um autopropelido. A gente não consegue entender como, depois desse episódio como o prefeito cria normas que jogam todos os autopropelidos na rua. O que a gente precisa é de mais fiscalização. E não de mais normas — disse Bernardo.
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O empresário disse que vai acompanhar eventuais ações judiciais que entidades que representam os fabricantes ou o Ministério Público entrem contra o decreto.
Nada muda, diz prefeitura
Pela manhã, Cavaliere defendeu o decreto. Segundo ele, não tem como tratar esses veículos como bicicletas elétricas. Sobre as ameaças de judicialização da medida disse que se ela acontecer, a prefeitura está aberta ao debate. À tarde, o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, reiterou que, em princípio, nada muda.:
— Estamos tomando uma medida corajosa e vamos assumir nosso papel. Quem quiser mostrar seus interesses ocultos dos fabricantes, que fizeram lobby para que a resolução do Contran fosse aprovada como saiu, é o papel deles. Nosso papel é defender o interesse público e aquilo que é melhor para o carioca e para a cidade — disse Cavaliere pela manhã , acrescentado que provavelmente algum fabricante vai judicializar (a medida), e a prefeitura vai ter a postura de dialogar.
