Fabricante chinesa compra fábrica da GE e lidera turbinas eólicas no Brasil

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A Goldwind comprou a fábrica da GE em Camaçari, na Bahia, e monta ali as turbinas eólicas que vende no mercado brasileiro. A companhia chinesa responde hoje por 50% a 55% dos equipamentos em fabricação no País, segundo o vice-presidente da Goldwind Brazil, Roberto Veiga, e fechou o maior contrato já anunciado no setor, de 827 MW com a Casa dos Ventos.

A operação mantém empregos industriais no polo de Camaçari e preserva no Brasil uma linha de montagem de aerogeradores num ano de forte queda na instalação de novos parques. O recuo das ocidentais

GE e Siemens Gamesa encerraram fábricas de pás e turbinas no Brasil nos últimos anos, quando o ritmo de novos projetos diminuiu. A Goldwind, a Envision e a Ming Yang ocuparam o espaço e assinaram seus primeiros contratos locais.

A unidade baiana fica num polo que o estado montou para atrair a cadeia eólica e que já abrigou operações de multinacionais europeias e americanas. O contrato com a Casa dos Ventos soma 827 MW, e um segundo acordo prevê 142 MW para a EDF.

Juntos, os dois negócios sustentam a produção local nos próximos meses. No ranking mundial de capacidade adicionada em 2025, Goldwind e Envision lideraram e a Ming Yang ficou em quarto lugar.

Em volume acumulado, a Goldwind aparece atrás apenas da dinamarquesa Vestas, e a Envision se aproxima de Siemens Gamesa e GE Vernova. A escala do mercado chinês, que instala a maior parte dos parques do mundo, deu às fabricantes do país volume e custo para exportar.

“Naquilo que está em fabricação neste momento, nós estamos com perto de 50%, 55%”, disse Veiga. Um mercado em queda

O Brasil adicionou 657 MW em parques eólicos até o momento em 2026, uma fração dos cerca de 2 GW de 2025, dos mais de 3 GW de 2024 e dos mais de 4 GW somados em 2022 e 2023. A queda tem causa conhecida.

A sobreoferta de geração renovável provoca cortes forçados na produção das usinas, o curtailment, que reduz a receita dos empreendedores e a previsibilidade de novos investimentos. Planejamento de 30 anos

Para Veiga, o recuo é conjuntural. “Não viemos para ficar pouco tempo, viemos para um planejamento de médio e longo prazo”, afirmou.

O horizonte que ele cita passa de 30 anos. A Goldwind criou uma unidade para desenvolver projetos desde o zero e oferecê-los a clientes já prontos para construir, o que reduz o risco de quem investe e tenta destravar negócios num mercado fraco.

Além das turbinas, a empresa planeja fabricar no Brasil os sistemas de armazenamento em baterias, conhecidos pela sigla BESS, de olho nos leilões que o governo marcou para dezembro. O plano é fazer do País um hub de exportação para as Américas, incluindo a costa leste dos Estados Unidos e o Canadá, e a empresa já vendeu sistemas desse tipo no Chile.

A aposta da Envision A Envision estreou no Brasil com um contrato de 630 MW em turbinas importadas da China para parques da Casa dos Ventos.

A empresa negocia a produção local à medida que os negócios avancem e conversa com parceiros para fabricar baterias com conteúdo local para os leilões de dezembro. “O setor eólico brasileiro atravessa um momento particularmente desafiador, que exige visão estratégica, capacidade de adaptação e compromisso de longo prazo”, disse o diretor de soluções da companhia, Marcello Trombelli.

A Envision oferece um dos maiores aerogeradores da indústria, com 8,4 MW de potência por máquina e rotor de 182 metros de diâmetro. A Ming Yang vendeu uma turbina para um parque da Copel e fechou outro contrato no País cujos detalhes não foram divulgados, além de apresentar seus produtos no Brazil Wind Power, encontro do setor realizado em São Paulo.

O que dezembro decide A disputa entre as fabricantes interessa ao consumidor porque o custo dos equipamentos e o desenho dos leilões ajudam a definir o preço da energia que chega à conta de luz.

O leilão de baterias marcado para dezembro é o primeiro teste da promessa de produção local. A Goldwind diz que oferecerá tanto um produto com conteúdo nacional quanto sistemas importados, e a Envision ainda negocia com parceiros.

O mercado eólico brasileiro, que já foi disputado por europeus e americanos, agora depende do apetite chinês de permanecer. A resposta sai do leilão e dos contratos que as três empresas conseguirem fechar nos próximos meses.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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