A multinacional francesa Saint-Gobain encerrou a fabricação de lã de vidro da marca Isover no Brasil após 75 anos. A unidade ficava em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, e começou a operar em 1951.
A produção terminou em 4 de julho de 2026, após um acordo firmado com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb). Em seguida, a empresa iniciou o desligamento definitivo do forno industrial, etapa central da fabricação.
Durante décadas, a fábrica abasteceu o mercado nacional com materiais usados para controlar a temperatura dos ambientes e reduzir ruídos. Entre os produtos estavam mantas, painéis, feltros e tubos isolantes, empregados em casas, edifícios comerciais, indústrias e sistemas de climatização.
A decisão encerra uma longa fase da produção local, mas não significa que a marca deixará de vender no país. Segundo a empresa, a unidade passará a funcionar como centro de distribuição, mantendo o fornecimento aos clientes brasileiros.
O encerramento ocorreu após anos de reclamações de moradores sobre fumaça, odores e barulho provocados pela operação industrial. Além disso, fiscalizações ambientais registraram problemas relacionados às emissões da unidade.
Em dezembro de 2025, a empresa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público e a Cetesb. O acordo estabeleceu o prazo para interromper a fabricação e determinou medidas ambientais para a área industrial.
O documento também prevê ações para investigar possíveis áreas contaminadas, tratar resíduos e dar destinação adequada aos materiais industriais. Portanto, o fim da produção representa apenas uma etapa das obrigações ambientais assumidas pela companhia.
Com a mudança, a Isover passará a atender o mercado brasileiro com produtos fabricados em outras unidades internacionais do grupo. Dessa forma, construtoras, indústrias e distribuidores poderão continuar comprando materiais da marca, embora a fabricação nacional tenha terminado.
A mudança também afeta trabalhadores ligados à antiga operação industrial. Antes do encerramento, a unidade contava com aproximadamente cem funcionários diretos e outros 50 indiretos, segundo informações publicadas durante as negociações do acordo.
A empresa informou que conduziu a transição conforme a legislação e buscou reduzir os impactos sobre os colaboradores. Entretanto, os efeitos sobre os custos e os prazos de entrega dependerão da logística de importação e das condições de abastecimento.
Assim, a antiga fábrica deixa de produzir após mais de sete décadas, enquanto o endereço assume uma função logística. O caso reúne mudanças industriais, exigências ambientais e uma nova estratégia de atendimento ao mercado brasileiro.
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