As estruturas de logística portuária da região Sul passam por um grande processo de expansão em meio ao crescimento nos volumes de exportação do agronegócio, sobretudo carnes e derivados de soja. Perspectivas promissoras para os embarques do setor dão base a planos de investimentos vultosos, embora ainda existam gargalos a superar. É o caso do terminal de contêineres de Paranaguá, no Paraná, que é líder em volume e capacidade na região Sul. A TCP é a administradora do terminal, que é o terceiro maior de contêineres do país. Desde março de 2018, a empresa integra o portfólio da China Merchants Port Holding Company (CMPort), investidora e operadora de portos públicos da China. A administradora prevê investir R$ 400 milhões no terminal de contêineres paranaense entre 2027 e 2028, com foco na compra de equipamentos portuários, tomadas e eletrificação de processos. “É quase uma preparação para a expansão futura da TCP. Um ciclo maior de investimento virá de 2028 a 2030”, afirma Romauro Santos Filho, diretor de desenvolvimento corporativo da TCP.
Segundo o executivo, o plano é realizar um aporte de R$ 1,5 bilhão para atingir, em 2030, um aumento de 40% na capacidade do terminal, que hoje é de 1,8 milhão de TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés). O projeto está em fase final de avaliação da autoridade portuária e ainda passará por outras validações, como da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Leia também Governo anuncia medidas para priorizar desembarque de fertilizantes nos portos SLC e Brado estreiam novo modal para levar o algodão do Matopiba a Santos “É um projeto que temos buscado para antecipar uma demanda futura”, diz. Segundo ele, estudos de mercado contratados pela empresa mostram que há tendência de crescimento “mais robusto” nas exportações de áreas de carnes, congelados, madeira, papel e celulose. Nos últimos oito anos, a movimentação de cargas do terminal cresceu, em média, 10% ao ano. As carnes e congelados representam 46% do total das exportações da TCP. Por isso, investimentos mais recentes, de R$ 500 milhões, já realizados, foram destinados à ampliação do número de tomadas para dar suporte aos contêineres refrigerados. A quantidade de tomadas saiu de 3,2 mil para 5,3 mil, e a previsão é chegar a cerca de 6 mil até o fim de 2027. “Aproximadamente um em cada três contêineres de carnes e congelados exportados pelo Brasil passa pelo terminal”, afirma o diretor da TCP. Em sua estratégia de expansão, a empresa também está atenta às limitações de capacidade observadas em outros complexos portuários brasileiros. Segundo Santos Filho, a TCP opera atualmente com ocupação inferior a 80%, enquanto terminais em Santa Catarina e no porto de Santos (SP) chegam a operar com taxas superiores a 90%. Para ele, a falta de capacidade pode se tornar um dos principais gargalos para o transporte marítimo de cargas no país, com impactos sobre a programação de navios e a formação de filas. Investimentos Na avaliação de Darlan de David, diretor-presidente da empresa de logística portuária Rocha, o posicionamento do Brasil no mundo como grande exportador de alimentos, por si só, já torna importante o investimento em terminais. “No caso de Paranaguá, embora cresça menos que [os portos do] Arco Norte, ele continua sendo, junto com Santos, um dos dois maiores portos que escoam o agronegócio brasileiro. Essa demanda crescente faz com que invistamos em infraestrutura portuária para atender o agronegócio”, afirma David. A Rocha atua na operação, movimentação e armazenagem de cargas nos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Rio Grande (RS), Santana (AP) e Itaqui (MA). Em agosto, a companhia fez o carregamento do primeiro navio no novo Cais Oeste, no porto de Paranaguá. O terminal, que entrou em operação em julho, recebeu R$ 300 milhões em investimentos da companhia. “No ano passado, fechamos em 5,7 milhões de toneladas, só nas exportações de grãos em Paranaguá. Neste ano, estamos acrescentando mais 2 milhões de toneladas de capacidade de exportação”, afirma David, considerando as operações no cais leste e no cais oeste. Segundo ele, em 2026, a Rocha se tornou o operador logístico com a maior capacidade para exportação de grãos em Paranaguá. Além disso, depois de 13 anos, a empresa retomou as operações em São Francisco do Sul (SC), o que amplia as opções de escoamento da produção no Sul do país. Nesse cenário, a expectativa da Rocha é que a receita cresça 1,5% neste ano, para R$ 880 milhões. “O faturamento previsto é fruto de um crescimento de 16% no segmento de grãos, em contraponto a uma queda de 21% no faturamento do segmento de fertilizantes”, afirma o presidente. A Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do país, também investe para escoar seus produtos além do porto de Paranaguá. Em parceria com a norueguesa Yara Fertilizantes, a Coamo planeja construir um terminal portuário em Itapoá (SC), que receberá investimento de R$ 3 bilhões. As obras devem começar em 2030, segundo o cronograma atual. “Começamos com os pedidos de licenciamento há cinco anos e acabamos de conseguir a licença prévia, que é a mais difícil, neste mês”, relata ao Valor o presidente executivo da cooperativa, Airton Galinari. “Acreditamos que a licença de instalação venha com mais dois anos, que é quando, de fato, a gente pode fincar as estacas e iniciar a obra”, projeta.
Globo Rural