Expansão do metrô e integração de tarifa desafiam próximo governador do Rio, com divergências entre Paes e Ruas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Com a passagem de metrô mais cara do país e um sistema de trens precário, o próximo governador do Rio terá como um dos principais desafios o transporte público sobre trilhos. Os dois principais candidatos, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), veem como necessidade a expansão metroviária, mas divergem sobre prazos de execução de obras.

Eles prometem aumentar a transparência dos recursos que serão subsidiados a partir de uma nova bilhetagem eletrônica, que depende de autorização judicial para sair do papel. Até a pandemia de Covid-19, metrô e trens recebiam mensalmente cerca de 34 milhões de passageiros. No primeiro trimestre deste ano, somados, os dois modais ficam próximos de 23 milhões de pessoas transportadas por mês, revelando a necessidade de investimentos para atrair novamente a população a utilizar os modais.

Um estudo recentemente divulgado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades mapeou 15 projetos prioritários de mobilidade para o Rio, mas com investimento estimado de R$ 68,4 bilhões, o que pode ser um empecilho diante dos combalidos cofres públicos fluminenses. As cifras para obras, infraestrutura e frota da Linha 3 ultrapassariam R$ 12 bilhões, segundo os técnicos.

O valor aumentaria se o projeto também incluísse a extensão da Linha 2 do Estácio à Praça Quinze: mais R$ 3,4 bilhões. O diretor da FGV Transportes Marcus Quintela explica que a expansão da malha metroviária é um dos principais desafios para o próximo governo. Ele lembra, no entanto, que, além de exigir um grande investimento, é necessário um acordo político com prefeitos de diversas correntes para implementar as intervenções. — Tudo isso demanda tempo e pode não caber em um só mandato. O transporte não é imediato. Você não consegue, num estalo de dedo, resolver o problema. É preciso construir a engenharia, além de todo o processo burocrático, sobretudo no Rio de Janeiro, com uma região metropolitana de 22 municípios. Isso, politicamente, é um arranjo bastante complexo — avalia Quintela. Construção da Linha 3 O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes promete concluir o projeto da Linha 2 até a Praça Quinze e ainda expandi-lo na outra ponta — ligando a Pavuna, atualmente ponto final, a Belford Roxo e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele afirma que essas duas intervenções são mais simples do que a construção da Linha 3, e, para esta, fecharia o mandato com as intervenções já iniciadas. Ele dá como exemplo de viabilidade, na ligação via Baía de Guanabara, a construção do túnel Marcelo Alencar, que chegaria a 46 metros abaixo do nível do mar. — Há dez anos não há nenhuma expansão do sistema de metrô. Vamos ter as duas frentes. Na Baixada é uma obra possível e haverá um impacto urbanístico nas cidades. A linha do trem ali representa um transtorno para a população e uma degradação urbana — disse. Infográfico mostra desafios do próximo governador do Rio no sistema de transportes sobre trilhos Editoria de Arte O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, não concorda com o adversário. Ele enxerga que a obra da Linha 3 é mais complexa. Ele avalia que nos quatro anos de um eventual mandato será possível entregar o projeto da obra com a sinalização da captação de recursos para executá-la.

Ruas pretende firmar uma parceria com a Universidade Federal do Rio (UFRJ) para elaborar o plano já com o custo estimado e fazer estudos amplos também para a expansão para a Baixada Fluminense. — A Baixada também precisa entrar definitivamente no planejamento da expansão da rede metroviária. Mas não vamos prometer estação sem projeto e recursos. É preciso definir demanda, traçado, custo e modelagem para então buscar financiamento no BNDES, no governo federal e na iniciativa privada. O compromisso é planejar com responsabilidade para tirar os projetos do papel — defendeu. Em paralelo ao projeto de expansão, o próximo governador deve inaugurar em seu mandato ao menos a estação da Gávea. Após mais de uma década de atraso, as obras foram retomadas e devem ser finalizadas em 2028. A empresa Metrô Rio, que opera o sistema, vai aportar R$ 600 milhões na obra, que serão somados a R$ 97 milhões do governo estadual. Em troca, a concessionária teve o contrato renovado até 2048. Para atacar o preço da tarifa, os dois candidatos defendem que o governo pague um subsídio à concessionária. Nem Paes nem Ruas se comprometem com valores neste momento, dizendo ser imprescindível analisar o contrato com a empresa. Atualmente, somente usuários do Bilhete Único, com renda de até 2 salários mínimos, têm direito ao benefício e pagam R$ 5 na roleta. O chefe do Executivo também terá que instruir o processo da nova licitação da bilhetagem estadual, que inclui ainda ônibus interestadual, trens e barcas. Desde 2017, o tema está sendo discutido, sob sigilo, no Tribunal de Justiça. A Coppe/UFRJ apresentou um estudo sobre o tema, e o governo estadual aguarda um acordo com o Ministério Público para o novo certame. Atualmente a gestão é feita pela Riocard. — Hoje o cidadão precisa ter uma tarifa para se deslocar por quantos modais de transporte forem necessários. Esse é outro problema que precisa ser atacado — aponta Marcus Quintella. Integração de modais Os dois candidatos defendem melhorar a integração, mas divergem parcialmente sobre a nova licitação. Enquanto Paes se posicionou contra a Riocard continuar no sistema, Ruas diz que não tem compromisso a favor ou contra nenhuma empresa e que ela será escolhida com transparência e segurança. Na gestão dos trens, o próximo governador iniciará o mandato com uma concessionária recém-criada, mas que pode ter pouco tempo à frente do sistema. A Trens RJ começou a operar o modal neste segundo semestre, após quase três décadas de gestão da SuperVia.

O contrato é de apenas cinco anos, prorrogáveis pelo mesmo período. A empresa herdou um sistema que sofre com vagões antigos, alguns da década de 1980, problemas nos trilhos e sinalização, além de frequentes calotes e até roubos de cabos que deixam passageiros a pé. Para Paes e Ruas, é preciso renovar a frota de trens, mas também discutir a modelagem desse investimento. O ex-prefeito ainda não descarta criar uma empresa pública, nos moldes que fez com a MobiRio no BRT, também no estado, caso haja descumprimento de contrato da concessionária, opção que o candidato do PL é contra.

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