O crescimento da receita da Uber Technologies desacelerou ainda mais no último trimestre, diante do enfraquecimento de seu principal negócio, o transporte por aplicativo. A empresa de São Francisco informou que a receita de sua divisão de mobilidade, seu maior segmento, caiu 2% no terceiro trimestre, uma vez que os elevados custos dos combustíveis, as condições mais restritivas dos mercados de trabalho locais e a concorrência por motoristas impediram a companhia de atender à demanda em vários mercados internacionais, como Índia e Brasil.
A Uber afirmou ter respondido a essas pressões com investimentos na atração, retenção e reativação de motoristas em mercados onde a demanda supera a oferta. Segundo a empresa, a iniciativa já produziu sinais de melhora em outubro.
Enquanto isso, os negócios de entregas e transporte de cargas da Uber continuaram a crescer, com altas de 23% e 34% na receita, respectivamente. No geral, a receita da Uber aumentou 10%, para US$ 14,77 bilhões, desacelerando em relação às altas de 12% no segundo trimestre e de 14% no primeiro trimestre.
Analistas consultados pela FactSet esperavam US$ 14,66 bilhões. A empresa afirmou que mudanças em seu modelo de negócios no Reino Unido prejudicaram o crescimento da receita em oito pontos percentuais no último trimestre.
As reservas brutas da Uber, que acompanham o valor de todas as corridas e entregas, avançaram 20%, para US$ 59,82 bilhões, mas também desaceleraram em relação aos dois primeiros trimestres do ano. O número de viagens, uma medida dos pedidos de corridas e entregas no período, aumentou 16% em relação ao ano anterior, para 4,06 bilhões, à medida que a empresa atraiu mais clientes ativos mensais e esses usuários passaram a contratar seus serviços com maior frequência.
O lucro do terceiro trimestre foi de US$ 512 milhões, ou US$ 0,25 por ação, em comparação com US$ 6,63 bilhões, ou US$ 3,11 por ação, um ano antes. O trimestre mais recente inclui um prejuízo líquido de US$ 476 milhões decorrente da reavaliação dos investimentos em participações acionárias da Uber, enquanto o período do ano anterior inclui um benefício de US$ 4,9 bilhões decorrente da reversão de uma provisão para avaliação de ativos fiscais e um benefício líquido de US$ 1,5 bilhão resultante da reavaliação dos investimentos em participações acionárias da companhia.
O lucro ajustado por ação foi de US$ 0,88, em comparação com a estimativa de US$ 0,86 dos analistas, segundo a FactSet. Olhando para o futuro, a Uber afirmou que reduzirá o ritmo de suas recentes operações de aquisição para se concentrar na integração dos negócios cuja compra já anunciou.
Neste ano, a empresa adquiriu o serviço de transporte com motorista Blacklane e o aplicativo de estacionamento SpotHero, além de anunciar acordos para comprar a empresa alemã de entrega de alimentos Delivery Hero e a plataforma de catering ezCater. A Uber também havia mantido conversas sobre uma possível aquisição da gigante de entrega de supermercados Instacart, informou anteriormente o The Wall Street Journal.
A concorrente da Uber Eats, DoorDash, anunciou na semana passada um acordo para adquirir a Instacart por US$ 17 bilhões. Ao buscar concentrar seus esforços na integração, a Uber afirmou que espera realizar poucas ou nenhuma nova aquisição até pelo menos 2027, à exceção de investimentos em sua estratégia de veículos autônomos.
A empresa, que trabalha com dezenas de parceiros de veículos autônomos, afirmou que pretende concentrar seus gastos daqui para frente em um grupo menor de parceiros, com os quais espera obter os maiores retornos. Para o quarto trimestre, a Uber prevê lucro ajustado por ação entre US$ 0,95 e US$ 0,99.
A empresa também espera reservas brutas entre US$ 63,25 bilhões e US$ 65,25 bilhões, o que representaria um crescimento de 18% a 22% em relação ao ano anterior, em base de câmbio constante. Os analistas projetam lucro ajustado de US$ 0,97 por ação e reservas brutas de US$ 64,26 bilhões.
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