Grupo ND teve acesso exclusivo a exercício da FAB realizado na mesma aeronave que localizou os destroços do helicóptero de Rick Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Mais de 300 militares de diferentes regiões do Brasil estão em Florianópolis para participar de um treinamento de buscas e salvamentos, organizado pela FAB (Força Aérea Brasileira). O Exercício Operacional Carranca, sediado na Base Aérea de Florianópolis desde o dia 30 de outubro, segue até a próxima sexta-feira (13) e simula desde a chegada dos primeiros alertas até o resgate de vítimas em mar e em terra.
O Grupo ND teve acesso exclusivo a um exercício de busca e salvamento de acidente aéreo, em São Joaquim, na Serra de Santa Catarina, realizado nesta sexta-feira (6). O objetivo do treinamento foi sobrevoar o local do desaparecimento de um helicóptero, localizar a aeronave e os passageiros e acionar o helicóptero de resgate.
A aeronave escolhida para a operação de busca foi SC-105 Amazonas, a mesma utilizada na localização dos destroços do helicóptero do cantor Rick Sollo, em setembro deste ano. Segundo o major Raphael Rosa, da FAB, o treinamento busca recriar da forma mais realista o acidente aéreo.
“No local do acidente temos a simulação do sobrevivente. São militares maquiados, com casos clínicos bem parecidos aos que acontecem na realidade, para termos o cenário mais fiel possível”, conta.
A simulação começa a partir dos alertas iniciais recebidos ainda em solo, na Base Aérea de Florianópolis, como explica o major Victor Saraiva, da Divisão de Busca e Salvamento do Departamento de Controle do Espaço Aéreo. “Juntamos os nossos militares e iniciamos uma busca estendida por comunicações.
Telefonamos para o aeroporto de decolagem, de pouso, para o dono da aeronave, para que a gente tenha certeza sobre a emergência.” Além dos contatos iniciais, a equipe também reúne informações sobre a rota prevista da aeronave perdida, os costumes do piloto e a meteorologia do dia, para que possam recriar o momento do acidente.
A partir da confirmação da emergência, os militares traçam uma área de cobertura para as buscas. Essa região leva em consideração o plano de voo da aeronave perdida e o último ponto de localização.
“Buscamos sempre diminuir a área de busca, de forma que as aeronaves tenham capacidade de encontrar o objetivo e de oferecer ajuda o mais rápido possível”, explica major Victor. A equipe de busca é acionada e decola no avião SC-105 Amazonas.
Neste momento, os militares chamados observadores fazem a visualização do solo em grandes janelas transparentes, chamadas de bolhas. São quatro militares observadores, dois de cada lado da aeronave.
Sargento Leonara é observadora e explica como funciona o processo de busca. “A nossa cabeça vai para cima e para baixo fazendo essa varredura.
A gente não sabe quantas vidas podem estar lá embaixo após um acidente, e o tempo é crucial.” Os observadores trocam de lugar a cada 30 minutos, e um vôo de busca pode durar até 8 horas. “Lidamos muito com o cansaço, é uma profissão muito desgastante”, conta a sargento.
A tecnologia também é utilizada a favor dos observadores. Uma câmera de longo alcance instalada na aeronave auxilia os militares na detecção dos objetos de busca.
“Quando a gente visualiza aqui de cima, às vezes a gente não consegue identificar em detalhes o que estamos vendo. Às vezes o que chama a nossa atenção é um formato ou uma cor.
Então a câmera consegue nos dar mais detalhes que a gente está procurando”, explica sargento Leonara. No momento em que o observador identifica o alvo, ele aciona um botão que envia as coordenadas para o piloto.
A aeronave passa a sobrevoar a área em busca de mais detalhes. A bolha transparente é aberta e um militar fotografa manualmente o local, registrando as vítimas e os destroços localizados.
Neste momento, dependendo das condições do ambiente, como vento e vegetação, os militares paraquedistas podem ser acionados. “O homem de resgate paraquedista tem uma função dupla.
Ele é observador, e se a situação propiciar um salto, a gente já pode começar o salvamento. O paraquedista faz o atendimento à vítima ser o mais rápido possível”, diz major Raphael.
Neste exercício, não foi possível realizar o salto. O helicóptero de resgate foi acionado e fez o salvamento das três vítimas localizadas.
O voo teve duração total aproximada de três horas, sendo uma hora de busca até a localização do objetivo, uma hora e 20 minutos de resgate e o restante em deslocamento. As duas aeronaves retornaram à Base Aérea de Florianópolis com a missão cumprida.
Depois de retornar para a base e encaminhar as vítimas para atendimento, a equipe envolvida se reúne para avaliar toda a operação de busca e salvamento, extraindo os principais aprendizados do treinamento. Major Raphael destaca a importância do Exercício na atuação dos militares da FAB.
“Nossa intenção é reduzir o gap entre a ficção e a realidade. Assim, quando o profissional que participou desse cenário tiver uma missão real, ele vai ter muitas possibilidades para resolver um problema complexo.”
Além disso, a escolha de Florianópolis como sede para o Exercício não foi aleatória. “Estamos em uma ilha, podemos utilizar tanto o mar quanto as montanhas, que são bem próximas.
Temos partes planas e partes com vegetação. Então a gente consegue simular todos os microambientes do Brasil em um único lugar”, explica major Victor.
Além do efetivo da FAB, o Exercício recebe militares observadores dos Estados Unidos e do Canadá. Major Raphael destaca a relevância internacional do treinamento ao afirmar que “na América do Sul, o Brasil é referência nesse tipo de serviço.
Tanto pelo sistema de operação e pelo nível do nosso equipamento, quanto pelo tamanho do Brasil. Somos responsáveis por 22 milhões de quilômetros quadrados”.
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