Executivos pagam até US$ 15 mil para visitar fábricas e empresas de tecnologia na China

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Executivos, investidores e empreendedores estrangeiros estão pagando milhares de dólares para visitar fábricas, startups e centros de inovação na China. Há programas de cinco dias que chegam a custar US$ 15 mil, segundo reportagem da Reuters. Os roteiros passam por empresas de robótica, inteligência artificial, veículos elétricos e baterias em cidades como Pequim, Shenzhen, Xangai, Hangzhou e Hefei. A procura reflete o interesse de companhias e investidores em entender de perto a velocidade com que a China vem avançando em áreas estratégicas da indústria e da tecnologia. Robert Wu, CEO da empresa de pesquisa Baiguan, disse à Reuters ter organizado duas viagens para mais de duas dezenas de investidores, empreendedores e executivos, cobrando até US$ 15 mil por um programa de cinco dias. Cerca de metade dos participantes veio do Sudeste Asiático. Outra operadora, a agência Glopen, afirmou que as consultas de interessados cresceram 50% em 2026, principalmente entre clientes europeus e de Singapura. A empresa realiza atualmente mais de 100 visitas de um dia a companhias chinesas por mês, segundo a Reuters. Robôs, carros elétricos e fábricas Uma das viagens acompanhadas pela Reuters levou investidores estrangeiros à sede da Agibot, em Xangai, onde puderam ver robôs humanoides de perto. Entre os participantes conhecidos de programas desse tipo estão investidores das americanas Dimension, Capital Group e Thrive Capital. A fábrica de veículos elétricos da Xiaomi em Pequim também virou atração. Segundo a empresa, mais de 250 mil pessoas visitaram a unidade desde março de 2024. A procura por vagas distribuídas oficialmente por sorteio chegou a gerar anúncios ilegais na internet por até 2 mil yuans, cerca de US$ 300. A Xiaomi afirmou à Reuters que os convites são pessoais e não podem ser transferidos. A fundadora da Tech Buzz China, Rui Ma, disse ter organizado 11 viagens desde 2019 para investidores e executivos interessados em empresas chinesas de IA, veículos elétricos e robótica. Também há empreendedores americanos usando as viagens para procurar fornecedores. Joshua Woodard, consultor de manufatura baseado em Shenzhen, relatou à Reuters a existência de grupos no WeChat com centenas de pessoas que circulam entre o Vale do Silício e a cidade chinesa e trocam indicações de fabricantes de baterias, telas e outros componentes. Interesse cresce com avanço tecnológico chinês O aumento das visitas ocorre enquanto empresas chinesas ganham espaço em setores como veículos elétricos, baterias e robótica, pressionando concorrentes estrangeiros a acompanhar mais de perto o que acontece no país. Alex Shengyun Lu, consultor de inteligência artificial da Praxis Advisory em Xangai, afirmou ter conduzido sete delegações com até 50 executivos desde o fim de 2025. Segundo ele, os visitantes europeus procuram entender tanto as práticas das empresas chinesas quanto a forma como o país organiza investimentos e adoção tecnológica em escala. Os próprios organizadores das viagens alertam contra a ideia de que a China já tenha assumido a liderança em todas essas áreas. Rui Ma ressalta que empresas de fora do país ainda concentram grande parte do mercado global, da propriedade intelectual mais avançada e dos lucros do setor. Mesmo assim, Shenzhen vem registrando aumento expressivo da presença estrangeira. Segundo dados citados pela Reuters, o número de visitantes estrangeiros cresceu 70% em 2025 e mais de 30% no primeiro trimestre de 2026. Mais de 5 milhões de entradas de estrangeiros haviam sido registradas na cidade até agosto deste ano. Mais Lidas

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