Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, atribuiu sua saída da sociedade à falta de informações sobre os negócios da instituição e a divergências sobre o modelo de gestão. Segundo seu relato, as conversas envolvendo o BRB, posteriores à saída formal, reforçaram a decisão de encerrar a relação com o banco, para o qual continuou prestando serviços.
Lima afirmou que os desentendimentos remontavam ao fim de 2022 e ao início de 2023 e que deixou oficialmente a sociedade em 28 de maio de 2024. Ao explicar o desgaste, relatou que não tinha conhecimento de investimentos feitos pela instituição e descreveu uma diferença de prioridades entre ele e Vorcaro.
“O meu era crédito, recorrência e receita. Microcrédito, recorrência e receita”, afirmou.
Segundo o empresário, Vorcaro tinha uma visão voltada ao mercado de atacado, a empresas em dificuldade e a operações estruturadas, caminho no qual ele não acreditava. Prestador de serviços
A saída da sociedade, porém, não encerrou imediatamente o vínculo. Lima disse que continuou trabalhando nas dependências do Master como prestador de serviços.
“Quando eu saí, em maio de 24, o que acontece? Eu volto a ser prestador de serviço”, declarou. Nesse período, segundo ele, buscava uma instituição própria para dar continuidade aos seus negócios.
O empresário afirmou ainda que Vorcaro receava que a divulgação de sua saída provocasse instabilidade no banco e pediu que a informação não fosse anunciada. Segundo Lima, a preocupação com a repercussão no mercado apareceu em conversas entre os dois nos meses seguintes à retirada da sociedade.
Nesse contexto, Lima situou as conversas sobre o BRB a partir de dezembro de 2024 e as associou à decisão de encerrar a relação com o Master. “Eu não acredito nesse negócio como público”, afirmou.
Ao relatar a conversa com Vorcaro, disse que queria seguir seu próprio caminho: “Eu vou tocar a minha vida”. No depoimento, Lima também defendeu a regularidade das operações de crédito sob sua responsabilidade e afirmou que havia pagamentos pendentes pelos serviços prestados ao Master.
Segundo sua versão, a continuidade dessas atividades após maio de 2024 ocorreu na condição de prestador de serviços, depois de sua saída formal da sociedade. Lima tornou-se sócio de Vorcaro no contexto da expansão do Credcesta, cartão de benefício consignado destinado a servidores públicos.
O negócio surgiu a partir da estrutura da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede Cesta do Povo, privatizada pelo governo da Bahia em 2018. Lima firmou uma parceria para operar o produto com o então Banco Máxima, posteriormente rebatizado de Master, e ingressou na sociedade da instituição, onde passou a comandar a expansão do consignado para outros Estados e municípios.
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