Ex-prefeito de Belford Roxo tem candidatura contestada por suspeitas de ligação com milícia e Comando Vermelho no RJ

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Parecer do Ministério Público Eleitoral aponta indícios de vínculos de Márcio Canella com organizações criminosas O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que anule o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, por supostas relações com milícias e com o Comando Vermelho.

O parecer foi apresentado nesta sexta-feira (23) e, conforme reportagem da Folha de S.Paulo, aponta indícios de infiltração de integrantes desses grupos na administração pública e de apoio à campanha do político. Ex-prefeito de Belford Roxo, Canella recebeu 197.178 votos e foi o segundo candidato mais votado para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Antes de perder força na disputa majoritária, ele chegou a ser cotado para concorrer ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL). O parecer foi elaborado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, que pede ao TSE a revisão da decisão do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), responsável por liberar a candidatura.

Procurado pela Folha de S.Paulo, Canella não havia se manifestado sobre o documento até a publicação da reportagem. Canella foi preso em julho durante uma operação da Polícia Federal, quando foram encontrados um fuzil de uso restrito no carro dele e mais de R$ 919 mil em dinheiro vivo.

Na ocasião, o político era alvo de buscas da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o crime organizado por meio de fraudes em postos de combustíveis. A operação também teve como alvo Marcus Amim, secretário de Polícia Civil nomeado pelo então governador Cláudio Castro (PL).

No parecer enviado ao TSE, Espinosa sustenta que há elementos suficientes para impedir a candidatura de Canella. Segundo o vice-procurador-geral eleitoral, a jurisprudência da Justiça Eleitoral permite barrar candidaturas diante de vínculos com organizações paramilitares ou grupos semelhantes, sem exigir necessariamente uma condenação criminal definitiva.

O argumento apresentado pelo MPE se baseia no artigo 17 da Constituição Federal, que estabelece restrições à atuação de organizações paramilitares na estrutura partidária. A manifestação também afirma que o TRE-RJ decidiu sobre a candidatura antes de ter acesso a provas de um inquérito em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal), cujo sigilo teria sido retirado neste mês.

De acordo com a Folha de S.Paulo, entre os elementos citados no parecer está a contratação, durante o período em que Canella foi deputado estadual, da esposa de um homem apontado como líder do grupo miliciano conhecido como Bonde do Jura para trabalhar em seu gabinete. Espinosa também menciona nomeações feitas quando Canella assumiu a Prefeitura de Belford Roxo, em 2025.

Segundo o parecer, pessoas apontadas como lideranças milicianas da região foram indicadas para duas secretarias municipais. Uma delas já tinha condenação por constituição de milícia, enquanto a outra respondia a processos por extorsão e porte ilegal de arma e acabou condenada posteriormente, conforme a manifestação.

Esses episódios são apresentados pelo Ministério Público Eleitoral como indícios de possível influência de grupos criminosos na administração municipal. Outro ponto levantado pelo vice-procurador-geral eleitoral envolve a operação Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella em Belford Roxo para remover obstáculos instalados pelo tráfico de drogas.

Segundo a interpretação apresentada no parecer, a ação teria envolvido acordos informais com integrantes do Comando Vermelho. Esses entendimentos, conforme o documento citado pela Folha de S.Paulo, permitiriam a liberação temporária de acessos a comunidades para a realização de obras e gravações de vídeos, com a posterior retomada do controle territorial pela facção.

Para Espinosa, o conjunto de elementos reunidos indicaria possível atuação de lideranças milicianas na administração pública e apoio eleitoral ao político. O parecer também atribui a Canella um papel de articulação com organizações criminosas armadas.

Caberá ao TSE analisar os argumentos e decidir se mantém a liberação da candidatura ou acata o pedido do Ministério Público Eleitoral. Yasmin Rech é jornalista em formação, integrante da equipe do ND Mais na redação de Joinville.

Acompanha temas factuais da região Norte de Santa Catarina, como segurança, cidadania e infraestrutura, cobrindo cidades como Joinville, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul. Estudante da Faculdade Ielusc (Instituto Superior e Centro Educacional Luterano), atua no Jornalismo desde 2024 e escreve reportagens que contextualizam desafios locais, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, gestão pública e segurança.

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