O julgamento do ex-policial militar Wladson Luan Monteiro Lopes, acusado de matar a namorada Bruna Meirelles Corrêa, de 32 anos, está ocorrendo nesta quarta-feira (4), no Fórum Criminal de Belém, no bairro da Cidade Velha. O militar responde pelo feminicídio da estudante de nutrição, atingida na cabeça por um disparo de arma de fogo dentro do carro dele, em março de 2025.
A sessão começou pela manhã e entrou, no fim da tarde, na fase de manifestação dos advogados de defesa. Eles sustentam que o tiro foi acidental e buscam a absolvição do réu.
A acusação, por outro lado, afirma que Wladson não aceitava o fim do relacionamento e que o disparo foi intencional. Durante a sessão, familiares, amigos e parentes de Bruna acompanharam os trabalhos no plenário.
Parte deles veio da comunidade de Fazendinha, na zona rural de Colares, município de origem da estudante, para acompanhar o julgamento e cobrar justiça. A expectativa é que a decisão seja anunciada ainda nesta quarta-feira, após a votação dos jurados.
Caso seja condenado por feminicídio, o ex-PM poderá receber pena de 20 a 40 anos de prisão. Relembre o caso
O crime aconteceu em 12 de março de 2025. Bruna estava dentro do veículo do então policial militar quando foi atingida por um tiro na cabeça.
Após o disparo, Wladson levou a namorada ao Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, mas a jovem não resistiu aos ferimentos. O acusado está preso preventivamente desde a data do ocorrido.
A defesa argumenta que o disparo aconteceu durante uma discussão entre o casal. Segundo essa versão, a arma estaria posicionada sob a perna do policial e teria disparado acidentalmente quando ele tentou guardá-la.
Os advogados também apontam a sensibilidade do gatilho como possível causa do disparo. A Promotoria de Justiça contesta essa versão e utiliza os resultados da reconstituição feita pela perícia científica para sustentar que o gatilho foi acionado de maneira intencional, com o disparo direcionado à cabeça da estudante.
Depoimentos Durante a fase de depoimentos, foram ouvidos peritos criminais, além de amigos e familiares da vítima.
Testemunhas relataram que Bruna passou a apresentar mudanças de comportamento depois que começou o relacionamento com Wladson. Segundo relatos de parentes, a estudante, que morava em Belém para cursar nutrição, começou a se afastar da família e a deixar de participar de encontros familiares.
Uma das testemunhas também afirmou ter visto marcas de agressões físicas no corpo da jovem antes da morte. Justiça
No intervalo para o almoço, amigos e familiares de Bruna realizaram um ato pacífico em frente ao Fórum Criminal de Belém. O grupo usou camisetas com a fotografia da estudante e exibiu cartazes pedindo a condenação do acusado.
A mãe da jovem, Dona Dalva, também manifestou a expectativa pela decisão dos jurados e pediu justiça pela morte da filha.
O Liberal