Ex-mulher e filha de Andrew apoiaram Epstein, revelam novos e-mails: 'Estou ao seu dispor. Case-se comigo'

 

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A nova leva de e-mails ligados ao financista americano Jeffrey Epstein aprofunda o constrangimento em torno da família do Príncipe Andrew, preso nesta quinta-feira (19) no contexto das investigações sobre sua relação com o empresário. De acordo com divulgações da BBC, as mensagens, tornadas públicas anos após a condenação de Epstein por crimes sexuais, mencionam reiteradamente Sarah Ferguson e as princesas Beatrice e Eugenie.

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Andrew, que já havia sido afastado de funções oficiais e perdeu títulos honoríficos após o escândalo, sempre negou de forma veemente qualquer irregularidade. Seu gabinete foi procurado para comentar as novas revelações. Representantes de Ferguson também foram contatados.

Os arquivos mostram e-mails enviados em setembro de 2011 para Jeffrey Epstein a partir de um endereço de e-mail ocultado

Divulgação/Departamento de Justiça dos EUA

Elogios, pedidos de dinheiro e estratégia de imagem

Nos e-mails, a ex-duquesa de York aparece elogiando Epstein de forma efusiva, chamando-o de “o irmão que sempre desejei ter” e declarando gratidão por sua “generosidade”. Em outra troca, uma remetente identificada como “Sarah” chega a escrever: “Estou ao seu dispor. Case-se comigo”. As mensagens são posteriores à condenação de Epstein, em 2008.

Os arquivos também indicam pedidos de apoio financeiro. Em 2009, após dificuldades em um empreendimento comercial, Ferguson teria solicitado 20 mil libras para pagar o aluguel, mencionando risco de exposição na imprensa. Há ainda referências a acordos para quitação de dívidas e a alegação, feita por Epstein em mensagem, de que teria prestado ajuda financeira a ela por 15 anos.

Parte das trocas sugere tentativa de gestão de imagem após as acusações contra o financista. Em um e-mail atribuído a Epstein, ele afirma que “Fergie agora pode dizer: ‘Eu não sou um pedófilo’”, indicando estratégia para conter danos reputacionais. O assessor de imprensa do empresário à época, Mike Sitrick, menciona a intenção de fazer com que jornais deixassem de associá-lo ao termo.

Um porta-voz de Ferguson disse à BBC que ela foi orientada a parabenizar Epstein pelo nascimento de um suposto filho, mas que desconhece detalhes adicionais. Nunca houve confirmação pública de que o financista tenha tido filhos.

Menções às princesas e acesso à realeza

As princesas Princesa Beatrice e Princesa Eugenie também aparecem nas mensagens. Em uma troca de 2010, um remetente não identificado menciona o “fim de semana de sexo” de Eugenie, sem contexto adicional. Não há indicação de irregularidade nas citações.

Outros e-mails relatam encontros sociais, incluindo um almoço em Miami com Ferguson e as filhas, além de convite enviado a Epstein para a festa de 50 anos de Andrew no Palácio de St. James. Em mensagem a um investidor, o financista afirma que Ferguson poderia organizar um chá no Palácio de Buckingham ou no Castelo de Windsor, o que evidenciaria seu trânsito em círculos da alta sociedade britânica.

Apesar da proximidade revelada nas mensagens, os documentos não indicam, por si, prática de crimes por parte das pessoas citadas. Ainda assim, o impacto reputacional é significativo.

Andrew, que deixou a Royal Lodge e foi afastado da vida pública após o escândalo, tornou-se símbolo do desgaste da chamada “marca York”. Já Beatrice e Eugenie mantêm seus títulos e posições na linha de sucessão, mas as novas revelações reacendem questionamentos sobre a capacidade de a família se dissociar definitivamente da sombra de Epstein.