A polícia do Chipre abriu uma investigação sobre as finanças do bilionário russo Roman Abramovich após uma reportagem da BBC e do Bureau of Investigative Journalism (TBIJ) apontar possíveis irregularidades em documentos contábeis usados para ocultar patrimônio e evitar o pagamento de impostos.
A apuração busca determinar se houve crime e deverá durar vários meses. Veja vídeo: Pep Guardiola faz apelo humanitário por Gaza e critica ações de Israel: 'Não são mortos, são pessoas assassinadas'
Personalidades defendem Sally Rooney após veto à distribuição de seus livros no Reino Unido por apoio a grupo pró-Palestina A investigação foi anunciada durante uma reunião de uma comissão parlamentar em Nicósia, capital cipriota, e ficará sob responsabilidade da Unidade de Inteligência Financeira da polícia.
As suspeitas envolvem ativos avaliados em US$ 672 milhões, equivalentes a R$ 3,4 bilhões, incluindo superiates, mansões e jatos particulares. Segundo a reportagem, balanços contábeis aprovados pela Deloitte no Chipre, em 2006, fizeram com que esses bens associados às empresas de Abramovich desaparecessem de suas contas.
A publicação também apontou que a empresa de contabilidade parece ter aconselhado sobre um esquema para evitar uma grande cobrança tributária por meio da falsificação de documentos. Polícia investiga possível fraude e manipulação documental
Andreas Anastasiades, representante da polícia cipriota, afirmou que a Unidade de Crimes Financeiros já começou a reunir provas. Questionado pela BBC sobre a possibilidade de a investigação examinar o trabalho da Deloitte, ele declarou: "Vamos analisar qualquer empresa ou pessoa que possa estar envolvida.
Vamos verificar se houve fraude ou se alguns documentos foram manipulados". As suspeitas surgiram a partir de arquivos vazados que incluem milhares de documentos sobre as finanças de Abramovich e as operações de uma rede de empresas offshore administradas a partir do Chipre entre 1995 e 2022.
Os advogados de Abramovich afirmaram que ele nega ter sonegado impostos ou ocultado sua fortuna. Segundo a defesa, a reportagem não apresentou provas de que o empresário soubesse da falsificação de documentos, tivesse autorizado a prática ou dado ordens nesse sentido.
Em declaração anterior à BBC, os representantes do bilionário disseram que ele "sempre obteve aconselhamento tributário e jurídico profissional independente" e "agiu em conformidade" com essas orientações. A defesa também sustentou que as empresas do empresário podiam confiar nas recomendações de profissionais especializados.
A Deloitte Chipre, por sua vez, afirmou que atua "em conformidade com as leis aplicáveis". A empresa declarou que não pode comentar o caso porque os documentos têm mais de 20 anos e não estão mais acessíveis.
A BBC e o TBIJ já haviam publicado uma reportagem sobre um esquema tributário que teria permitido a Abramovich evitar o pagamento de milhões em impostos relacionados aos custos de operação de seus iates. Após essa publicação, dois ex-diretores de empresas foram formalmente acusados no Chipre em um processo relacionado a € 25 milhões em impostos sobre valor agregado (IVA) não pagos.
O Globo