Os Estados Unidos negaram, pelo segundo ano consecutivo, o visto do presidente palestino Mahmoud Abbas para participar da Assembleia Geral da ONU na próxima semana, em Nova York, informou nesta quarta-feira (16) uma fonte familiarizada com o caso.
Em comunicado, o Departamento de Estado justificou a medida contra o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), argumentando que a organização não implementou as reformas assumidas junto aos Estados Unidos e persistiu em atividades “que comprometem as perspectivas de paz”.
Por isso, “os Estados Unidos vão prorrogar as sanções que proíbem a concessão de vistos a membros da OLP e a responsáveis da Autoridade Palestina”, afirmou. Uma fonte próxima ao caso confirmou à AFP que a sanção também se aplica a Abbas.
O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina criticou, em um comunicado, a "decisão injustificada" e afirmou que "vai contra os esforços para restabelecer a confiança e desenvolver as relações entre palestinos e americanos".
No ano passado, o governo do presidente Donald Trump adotou a mesma medida contra o líder palestino, o que o obrigou a discursar na ONU por videoconferência.
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Washington acusa Abbas de não cumprir “compromissos em favor da paz no Oriente Médio” e atribui a ele “ações” destinadas a internacionalizar o conflito israelense-palestino, especialmente por meio do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina "procura contornar as negociações" de paz ao buscar um reconhecimento unilateral e continua pagando "benefícios a terroristas", além de glorificar "atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e livros didáticos".
Os Estados Unidos se distanciaram da posição de diversos países que no ano passado reconheceram na ONU a existência de um Estado palestino. Ao todo, 142 Estados-membros das Nações Unidas apoiaram esse reconhecimento ao fim da conferência sobre a solução de dois Estados, presidida por França e Arábia Saudita.
Nos últimos meses, multiplicaram-se os episódios de violência cometidos por colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, e a violência aumentou significativamente desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Folha de Pernambuco