Japão avalia comprar submarinos de propulsão nuclear em futura estratégia de defesa

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Fonte da notícia: Valor Valor

O governo japonês está considerando iniciar uma avaliação sobre a possível aquisição de submarinos de propulsão nuclear, como parte da próxima atualização periódica de sua estratégia de defesa, apurou o “Nikkei Asia”.

O Japão deve concluir, ainda este ano, as revisões da Estratégia de Segurança Nacional e de outros dois documentos relacionados à segurança. Surgiu uma proposta para incluir, nos textos, menções à "investigação" e à "pesquisa" sobre se o Japão deveria possuir submarinos nucleares.

"Se não incluíssemos nada sobre submarinos nucleares, isso significaria que não avançaremos com a ideia. Mas, ao mencionar a investigação ou a pesquisa, ganhamos mais tempo para chegar a uma conclusão, enquanto avaliamos a viabilidade", afirmou uma fonte próxima ao governo.

Submarinos de propulsão nuclear podem operar por longos períodos e percorrer grandes distâncias. A posse desses equipamentos ampliaria a colaboração do Japão com as forças armadas dos Estados Unidos.

No entanto, o Japão enfrentaria diversos desafios para adquirir submarinos nucleares. Entre eles, estão não apenas as leis atuais, que restringem o uso da energia nuclear a fins pacíficos, mas também os custos associados à operação dessas embarcações.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, declarou no Parlamento, na quarta-feira, que pretende "aprofundar considerações concretas e realistas" sobre a defesa das rotas marítimas, o que inclui a possível introdução de submarinos de propulsão nuclear.

O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse a jornalistas na sexta-feira que acredita que "a população compreende a necessidade de um debate" sobre submarinos nucleares.

Essas embarcações "nos permitirão realizar as atividades necessárias, garantindo, ao mesmo tempo, um nível mais elevado de segurança para a tripulação", afirmou Koizumi.

Os três documentos de segurança — que incluem também a Estratégia de Defesa Nacional e o Programa de Fortalecimento da Defesa — foram atualizados pela última vez em 2022. Atualmente, nenhum deles menciona submarinos de propulsão nuclear.

O Programa de Fortalecimento da Defesa estabelece que o Ministério da Defesa irá "desenvolver e adquirir sistemas de lançamento vertical de mísseis (VLS) que possam ser instalados em submarinos". Dada a velocidade e a flexibilidade dos submarinos nucleares, há quem argumente que eles seriam as plataformas mais adequadas para tais sistemas.

O painel de especialistas do governo, encarregado da revisão desses três documentos, já realizou quatro reuniões até o momento. Embora existam membros que defendam a aquisição de submarinos nucleares, há outros que se mostram menos dispostos.

Não se espera que as recomendações do painel de especialistas definam uma diretriz política específica em relação aos submarinos nucleares.

"Acredito que a redação será formulada de modo a não restringir a decisão do governo", afirmou um especialista.

Brent Sadler, pesquisador sênior da Heritage Foundation — um centro de estudos sediado em Washington —, escreveu sobre a operação de submarinos nucleares a partir do Japão em um comentário de dezembro de 2025.

Segundo o texto, caso um submarino nuclear tivesse como base o porto de Yokosuka, ele poderia operar no Mar do Sul da China por 79 dias — um período 4,6 vezes maior do que o de um submarino convencional a diesel. No Mar das Filipinas e no Estreito de Taiwan, a autonomia seria, respectivamente, 2,4 e 2,5 vezes superior.

Em um cenário de segurança marcado pela pressão militar da China e da Rússia, nações situadas em rotas marítimas estratégicas estão considerando a aquisição de submarinos nucleares. A Austrália pretende constituir uma frota desse tipo por meio do Aukus (sigla em inglês da parceria de segurança entre Austrália, Reino Unido e Estados Unidos). A longo prazo, o país também planeja construir submarinos nucleares em seu próprio território.

Em outra frente, o governo da Coreia do Sul firmou um acordo com a administração Trump para a aquisição de submarinos nucleares pelo país asiático.

Além dos desafios jurídicos e regulatórios, o Japão enfrenta obstáculos significativos relacionados aos custos de operação de submarinos nucleares. Nos Estados Unidos, estima-se que a construção de uma unidade supere os 4 bilhões de dólares.

No Japão, o custo estimado para construir um submarino nuclear ultrapassa 1 trilhão de ienes (US$ 6,29 bilhões). Atualmente, os submarinos mais avançados da Força de Autodefesa Marítima custam cerca de 70 bilhões de ienes cada.

A construção de submarinos nucleares exige tecnologia de ponta, e essas embarcações podem permanecer submersas por longos períodos durante suas operações. A Força de Autodefesa (SDF) enfrenta, contudo, uma grave escassez de pessoal qualificado.

Um alto representante da Comissão de Pesquisa sobre Segurança, vinculada ao Partido Liberal Democrata (PLD, atualmente no poder), manifestou cautela quanto à aquisição de submarinos nucleares, apontando os elevados custos e a dificuldade de obter aceitação internacional. "Há pouca disposição, por parte da comissão de pesquisa, em aceitar o argumento a favor da aquisição" de submarinos nucleares, afirmou a autoridade.

O Partido da Inovação do Japão, parceiro de coalizão do PLD, propôs em junho que o país adquirisse submarinos nucleares "prontamente". Em outra proposta, divulgada por volta da mesma época, o PLD não mencionou as embarcações.

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