Os Estados Unidos reiteraram, nesta segunda-feira, o compromisso com a defesa dos principais aliados asiáticos, o Japão e a Coreia do Sul, e os três países expressaram apoio a Taiwan antes da cúpula desta semana entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. Leia também: Trump e Xi se reúnem quinta-feira em Washington para discutir de guerra comercial a Taiwan FT/ Análise: Trump e Xi são os homens errados no momento errado Lee, da Coreia do Sul, participará da Assembleia da ONU e terá cúpula no México
Analistas afirmam que os aliados dos EUA estão preocupados com a possibilidade de Trump oferecer concessões a Xi — inclusive em relação a Taiwan e ao comércio — em troca de ganho econômico com Pequim quando receber Xi na Casa Branca, em Washington, na quinta-feira.
Autoridades afirmam que tanto a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, quanto o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, estão ansiosos para se encontrar com o presidente dos EUA durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, onde os três devem discursar na terça-feira.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniu-se com o homólogo sul-coreano, Cho Hyun, e com o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, em Nova York nesta segunda-feira. Eles emitiram uma declaração conjunta prometendo, em aparente referência à China, manter-se firmes “contra a coerção econômica e políticas e práticas não mercadológicas”, bem como a “restrições arbitrárias à exportação que perturbam as cadeias de abastecimento”.
Eles também saudaram o lançamento de um novo mecanismo de consulta trilateral sobre segurança econômica, parte de esforços mais amplos para fortalecer as cadeias de abastecimento e a cooperação em tecnologias críticas.
A declaração aponta que os EUA “reiteraram compromissos inabaláveis com a defesa do Japão e da República da Coreia, respaldados pelo poderio militar incomparável dos Estados Unidos, incluindo suas capacidades nucleares, e reafirmaram seus compromissos de dissuasão estendida para com o Japão e a República da Coreia.”
A declaração afirma que os ministros enfatizaram compromisso com uma cooperação robusta em matéria de segurança, assim como a importância de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan. Também “expressaram apoio à participação significativa de Taiwan em organizações internacionais apropriadas”.
Referindo-se à Coreia do Norte, os ministros “reafirmaram seu compromisso resoluto com a desnuclearização completa da República Popular Democrática da Coreia” e instaram o país a retomar o diálogo.
Além das preocupações com Taiwan, uma ilha governada democraticamente e que a China reivindica como sua, analistas afirmaram que os aliados examinarão minuciosamente quaisquer anúncios comerciais da cúpula Trump-Xi quanto ao impacto na competitividade em relação à China. Mesmo uma redução modesta nas barreiras comerciais para Pequim poderia minar suas posições.
Takaichi irritou Pequim no ano passado ao afirmar que Tóquio poderia ser arrastada para um conflito em torno de Taiwan, e Seul e Washington vêm negociando os detalhes do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões da Coreia do Sul nos Estados Unidos, no âmbito de um acordo comercial firmado pelos aliados no ano passado.
Um deputado da oposição sul-coreana pediu, nesta segunda-feira, que o pacote de investimentos fosse analisado pelo Parlamento, alertando que as negociações sobre projetos de energia poderiam fazer com que a Coreia do Sul arcasse com riscos financeiros desproporcionais.
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