EUA avaliam comprar navios de guerra do Japão e da Coreia do Sul para fazer frente à China

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Marinha dos Estados Unidos está considerando adquirir navios de guerra construídos em países aliados, como Japão e Coreia do Sul, segundo informaram várias autoridades navais ao “Nikkei Asia”. A medida seria altamente incomum e visa acompanhar a rápida expansão da frota naval chinesa.

"Estamos desenvolvendo ativamente opções para atender à intenção do presidente de entregar navios mais rapidamente, garantindo, ao mesmo tempo, investimentos de longo prazo, transferência de tecnologia e a expansão da mão de obra nos estaleiros dos Estados Unidos", afirmou uma autoridade da Marinha americana referindo-se ao presidente Donald Trump.

Outra autoridade da Marinha reconheceu que a força militar carece de um número suficiente de embarcações e demonstrou abertura para adquirir navios do Japão. "Podemos comprar algumas fragatas japonesas", disse a autoridade. "Elas são excelentes."

Em agosto, a Casa Branca divulgou um memorando sobre a reconstrução da marinha e da base industrial de construção naval do país, estabelecendo que empresas estrangeiras que construírem novos estaleiros nos Estados Unidos ou adquirirem estaleiros americanos existentes poderão construir as duas primeiras embarcações em seus países de origem para entrega aos Estados Unidos.

Um veículo de notícias operado pelo centro de estudos U.S. Naval Institute informou que fragatas construídas na Coreia do Sul, no Japão e na Turquia estão entre as opções em análise. A candidata japonesa seria uma versão aprimorada da fragata classe Mogami, da Mitsubishi Heavy Industries, atualmente operada pela Força de Autodefesa Marítima do Japão.

A classe Mogami já obteve sucesso em exportações após ter sido selecionada pela Marinha Real Australiana como sua fragata de próxima geração, superando concorrentes da Coreia do Sul, Alemanha e Espanha. O projeto inclui tecnologias avançadas de automação que permitem a operação com uma tripulação relativamente pequena. No entanto, resta saber se o modelo conseguirá atender aos requisitos dos Estados Unidos em relação às operações locais de construção naval e aos cronogramas de entrega rápida.

A Coreia do Sul é amplamente considerada uma forte candidata, uma vez que seus principais estaleiros têm investido ativamente nos Estados Unidos. Em julho, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung apresentou os estaleiros do país ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião, afirmando que a Coreia do Sul estava pronta para cooperar na construção de embarcações navais. A Turquia também é vista como uma candidata em potencial, beneficiando-se de fortes laços entre os líderes dos dois países.

A administração Trump tem defendido a revitalização da indústria de construção naval dos Estados Unidos. Sua proposta orçamentária para o ano fiscal de 2027 destinou US$ 66 bilhões a programas de construção naval da Marinha, visando produzir um total de 34 navios de guerra e de apoio. Enquanto a capacidade nacional de construção naval não se recupera, Washington avalia a possibilidade de realizar aquisições no exterior.

Essa urgência é impulsionada, em parte, pela expansão militar da China. As forças armadas chinesas quase septuplicaram sua frota de contratorpedeiros e fragatas modernos entre 2001 e 2026, segundo o Ministério da Defesa do Japão. As capacidades do país estão se equiparando rapidamente às dos Estados Unidos.

Em termos de tamanho total da frota, os Estados Unidos continuam sendo líderes mundiais, com 970 embarcações, contra 700 da China. No entanto, as forças navais americanas estão distribuídas globalmente. Ao considerar apenas a região da Ásia-Pacífico, o poderio naval chinês torna-se cada vez mais expressivo.

Os Estados Unidos estão muito atrás da China em capacidade de construção naval. Após o fim da Guerra Fria, a indústria naval americana entrou em declínio e, nos últimos anos, tem produzido apenas um número reduzido de navios comerciais anualmente.

A China, por sua vez, expandiu seu setor de construção naval e detém atualmente a maior participação no mercado mundial. Como resultado, os Estados Unidos buscam cada vez mais a Coreia do Sul e o Japão — o segundo e o terceiro maiores países construtores de navios do mundo — para ajudar a suprir suas necessidades de construção naval.

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