O mercado brasileiro de ativos estressados evoluiu muito nos últimos anos, com a especialização de advogados, juízes, criação de novas gestoras e, também, com ciclos econômicos que deixaram para trás grandes empresas com problemas. Neste contexto, Ivo Waisberg, do escritório TWK - que está assessorando a Casas Bahia, que pediu recuperação judicial, disse que se tornou mais popular nas últimas décadas.
"Eu era o patinho feio, hoje sou o príncipe", brincou ele ao participar de um painel sobre ativos problemáticos na 27ª Conferência Anual do Santander. "A única coisa que rende mais que Selic hoje é investir em ativos estressados", comentou.
Segundo ele, o único problema da legislação brasileira é que existem muitos tipos de crédito que ficam de fora de uma recuperação judicial. "Aqui são uns 30 tipos de crédito que ficam de fora, nos EUA são quatro".
Marcelo Mifano, da Vinci, também comentou sobre o avanço do mercado e apontou que há dez anos era muito difícil conseguir alguém para fazer um financiamento DIP (“debtor in possession”, financiamento específico para empresas em recuperação judicial) e hoje já há disputa, com muitas ofertas. Mas também apontou sobre as dificuldades trazidas pelos juros altos. "Aqui, uma empresa com quatro vezes de alavancagem já tá passando sufoco, nos EUA isso não é nada."
Renato Carvalho, fundador da assessoria financeira Laplace, comentou que o mercado americano é mais segmentado, com fundos especializados em diversas tipos e ciclos das empresas em dificuldade. Ele também apontou a celeridade e constância da Justiça americana. Ivo Waisberg, sócio do Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados Valor
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